quinta-feira, 10 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Resignação

Resignação

Há virtudes difíceis de serem adquiridas e cujo exercício é pouco compreendido. A resignação é uma delas. (...) Urge reconhecer que nem sempre é possível obter-se o que se deseja. Muitas vezes, nossos sonhos mais caros não se concretizam. Ou então nossa tranquilidade, tão duramente conquistada, é atingida por um infortúnio. Há dificuldades ou contrariedades que podemos vencer, mas algumas vezes, a vida responde a nossos apelos com sombra e dor. Nessas circunstâncias, alguns encontram em seu íntimo forças para resignar-se.

Em face de situações constrangedoras, dolorosas e inalteráveis, a resignação é uma atitude que apenas os bravos conseguem adotar. Trata-se da aquiescência da razão e do coração com um regime severo imposto pela vida. O resignado não é um covarde, mas alguém que compreende a finalidade da existência terrena. O homem nasce na Terra para evoluir, para vencer a si mesmo e amealhar virtudes. Justamente por isso, as dificuldades apresentam-se em seu caminho. Algumas são contornáveis e outras não.

Às vezes, somente poderíamos sair de uma situação triste, prejudicando ou magoando o semelhante. Como ninguém conquista a própria felicidade semeando desgraças, essa opção não é legítima. Frente a um infortúnio inevitável, é necessário acomodar a própria vontade. Impõe-se a consideração de que Deus rege o Universo e jamais se equivoca ou se esquece de algo. (...) Conscientes de nosso papel de aprendizes, convém nos dedicarmos a fazer a lição do momento. Talvez ela não seja a que desejaríamos, mas certamente é a mais adequada às nossas necessidades.

Se a vida nos reclama serenidade em face da dor, aquiesçamos. A rebeldia de nada nos adiantará. A criatura rebelde (...) apenas torna seu aprendizado lento e doloroso. Rapidamente ela se torna cansativa para seus familiares e amigos. Ao fazer sentir por toda parte o peso de seu amargor, infelicita os que a amam.

Resignar-se não significa desistir da luta. Implica apenas reconhecer que a luta interiorizou-se. Quem se resigna enobrece lentamente seu íntimo, ao desenvolver novos propósitos de vida. Tais propósitos não se resumem a um viver róseo. Eles envolvem a percepção e a aceitação de que temos um papel a desempenhar na construção de um mundo melhor. Esse papel pode não coincidir com nossas fantasias. Mas é uma bênção ser um elemento do progresso, mesmo com algum sacrifício. Outras pessoas, mirando-se em nosso exemplo, podem encontrar forças para seguir em frente.

A resignação é uma conquista do espírito que vence suas paixões e atinge a maturidade. Ele consegue manter a alegria e o otimismo, mesmo em condições adversas. Ao enfrentar com tranquila dignidade seus infortúnios, prepara-se para um amanhã venturoso.








Adaptado de Momento de Reflexão - Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no capítulo 24 do livro Leis Morais da Vida, do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.