sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Plural de porcentagem


 joralimaTEXTO       

REVISÃO DE TEXTO   - CONSULTORIA ORIENTAÇÃO REDAÇÃO


São Paulo, 14 de setembro de 2012.


Com relação à consulta sobre o plural no contexto das porcentagens, o Manual de Estilo da Editora Abril (1990), coordenado pelo jornalista Carlos Maranhão, página 61, no item 3, sugere que se use o bom senso – e o ouvido. Apresenta o plural de porcentagens como uma condição variável e exemplifica:

Na pesquisa, 55% defenderam a medida; 90% dos problemas foram resolvidos; só 30% do funcionalismo aderiu à greve; 12% da torcida carioca é botafoguense.

Já o Manual de Redação e Estilo de O Estado de São Paulo, de autoria de Eduardo Lopes Martins Filho (3ª. Edição, 1997), página 227, item 2, aprofunda-se mais na questão, pontuando:

a) O verbo concorda com o que for expresso pela porcentagem: Só 10% da produção de trigo foi salva. / Oitenta por cento da imprensa brasileira noticiou o fato. / Segundo a Fiesp, 50% das indústrias brasileiras estão obsoletas. / Mais de 30% das pessoas foram atingidas pela doença.

Martins Filho apresenta uma observação:

Com 1%, faça a concordância no singular: Apenas 1% dos alunos faltou ao exame / Mais de 1% das pessoas foi atingido pela doença.

O autor do Manual do Estadão continua:

b) Se se particularizar a porcentagem, a concordância mudará: Esses 20% da população morreram (e não “morreu”). / Os restantes 30% de aumento serão pagos dois meses depois (e não “será pago”).

c) Se o verbo vier antes do número da porcentagem, a concordância se fará com o número: Está perdido 1% da colheita. / Estão perdidos 10% da colheita.

d) Se o nome vier antes do número que exprime a porcentagem, a concordância se fará com número: Dos alunos, 10% faltaram às aulas. / Da safra de soja, 30% estão perdidos. / Dos livros enviados, apenas 1% se perdeu.

Na coluna Dicas de Português (disponível em http://g1.globo.com/platb/ portugues/2008/12/, acesso em 14/09/2012), do Professor Sergio Nogueira, vinculado às Organizações Globo, o problema se apresenta da seguinte maneira (Caso 10 – Com percentagens):

O verbo concorda com a percentagem:

“Somente 1% não compareceu à prova”;
“Somente 2% não compareceram à prova”.

Quando houver especificador, o verbo pode concordar com a percentagem ou preferencialmente com o especificador:

“Somente 1% dos alunos não compareceu [ou compareceram] à prova”;
“Somente 2% da turma não compareceram [ou compareceu] à prova”.

Se a percentagem estiver determinada, o verbo deverá concordar obrigatoriamente com a percentagem:

“Estes 10% da turma foram reprovados”;
“Os restantes 90% da turma foram aprovados com louvor”.

Bem didática, a explicação abaixo parece ser de autoria do Professor Pasquale Cipro Neto, provavelmente veiculada no Programa Nossa Língua Portuguesa, da TV Cultura (São Paulo), e foi encontrada no site http://www.madesp. com.br/contaumconto/concordancia.htm  (Acesso em 14/09/2012):

“40% dos eleitores preferiram" ou "40% dos eleitores preferiu"?

A expressão que determina o percentual está no plural ("eleitores") e então não há outra opção [“40% dos eleitores preferiram"].

O determinante também pode estar no singular, como na questão seguinte:

"40% do eleitorado preferiu" ou "40% do eleitorado preferiram"?

O termo que se segue ao percentual é singular; logo, o verbo também permanece no singular. A forma correta é "40% do eleitorado preferiu".

Mas e se não houver determinante acompanhando a porcentagem?

"40% preferiu" ou "40% preferiram"?

Como não há nada após a expressão percentual, vale o número 40, que é plural. Se fosse um número inferior a 2, então o verbo ficaria no singular:

“40% preferiram” / “1% preferiu” / “1,8% preferiu

É sempre importante ter em mente que questões relacionadas ao idioma devam ser observadas à luz de cada caso, posto a língua não ser uma ciência exata. Feita essa ressalva, no geral, se a porcentagem estiver funcionando como o sujeito (ou como a parte principal dele), eu flexiono o verbo em função do valor que a porcentagem expressa. Assim, em minha opinião, os exemplos abaixo, da maneira como me foram apresentados, devem figurar no plural:

a) “70,1% possuía” [então: “70,1% possuíam”]
b) “somente 18,3% e 11,6% tinham entre 31 e 40 anos e mais de 40 anos”
c) “referente ao estado civil, 67,1% eram solteiras, 15,7% eram casadas”

Cordialmente,

Jorge Alves de Lima 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ponto de vista - prequela


prequela (qüé) 
(pre- + [se]quela)
s. f.
Obra cinematográfica ou literária cuja história ou enredo serve de antecedente a uma já existente.

  » Grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990: preqüela


  » Grafia em Portugal: prequela

terça-feira, 11 de outubro de 2011

joralimaTEXTO no PagSeguro - Pague revisão de texto no cartão de crédito

Hoje, atendendo às sugestões de uma cliente, criei um cadastro no PagSeguro, do Universo On Line (UOL). Então, já posso receber por cartão de crédito, incluindo a possibilidade de parcelamento. Não é o máximo?
    Catedral de São Paulo - Londres (Inglaterra) - Abril de 2011



Revisão de Texto

Sou Bacharel em Letras (Português) pela FFLCH da USP e Licenciado pela Faculdade de Educação (também da USP). Atualmente, dedico-me a fazer revisão de textos (monografias, dissertações, teses, artigos, livros...), além de orientar na elaboração destes mesmos tipos de textos e prestar consultoria. Então, precisando, é só me chamar: joralima@gmail.com ou joralima@usp.br. Abração. Jorge (aceito pagamentos no cartão de crédito via PagSeguro).

quarta-feira, 29 de junho de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Filosofia - Spinoza

O poeta e a palavra

O poeta e a palavra

à Banda Rephorma Geral

Rápido, oportuno.
Ninguém nunca se lembra de olhar,
mas ele parece estar ali:
pronto para a palavra,
pronto para a mensagem,
pronto para transmitir um recado para cada coração.

O poeta fast food.
O poeta just in time.
O poeta plug and play.

Porém, a palavra se revolta
-- não se vê prêt-à-porter.
Se rebela, entra em greve, sai de férias.

A palavra se nega ao poeta
como a cortesã que resiste ao cliente.

Eles se atracam, se insultam
-- discutem a relação.
Cobram fidelidade,
amor eterno
-- amizade ao menos.

E nada.

O poeta descobre-se solitário,
sem poderes, sem sinônimos, sem papel
-- mudo, em sua caneta.

Descobre-se lavrador
tendo que minerar cada pequena frase,
escolhendo, entre milhões,
a palavra pedra preciosa do poema.

Precisa cortejá-la novamente,
jurando-lhe renovado amor,
crendo-a única,
incomparável,
insubstituível.

Rara.

Então a palavra lhe sorri, outra vez convencida.
Diminui seu dengo, aquieta-se.
Se apresenta dócil
diante do bardo.

E se faz poesia.

Jorge Alves de Lima
São Paulo, 30/03/2011