UNIVESP
– Curso de Pedagogia
Disciplina: Filosofia da Educação
Semana
1 - O que entender por filosofia e a relação entre filosofia e educação
joralimaTEXTO
Os objetivos desta semana são:
Entender o que é Filosofia.
Compreender a relação entre
Filosofia e Educação.
Refletir sobre a importância da
Filosofia na formação do educador.
Videoaula 1
O que entender por
Filosofia - Parte 1
Prof.
Marcos Antônio Lorieri
Licenciatura.
Licença para lecionar. Ser professor é ser educador, que precisa na sua
formação de elementos que o ajudem a pensar por que e para que ele quer ser
educador.
Texto 1. José Saramago:
Falta
filosofia na sociedade atual. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão.
Precisamos do trabalho de pensar, sem ideia não vamos a parte nenhuma.
Texto
2. Calvin e Haroldo (Calvin and Hobbes, série de tiras criada, escrita e
ilustrada pelo norte-americano Bill Watterson)
Reverência
à TV como um deus.
Ligação
entre os dois textos:
Texto
1, referência à falta de pensar. Texto dois, agradecimento a quem pensa por nós
(a TV).
Mas,
afinal, o que é filosofia?
Para
Fernando Savater (2001), filosofia é
uma das formas de saber produzidas pela humanidade para tentar dar conta de
certas “questões importantes” que prefiro chamar de “questões de fundo”,
denominadas “as perguntas da vida” (título de um de seus livros).
Além
da filosofia, há outras formas de saber: conhecimento do senso-comum (inerente
a todos), a ciência [educação está dentro], a religião, a arte, o mito (temas
que serão trabalhados no tópico relação entre teoria do conhecimento e
educação).
Por
que produzimos conhecimento?
Os
seres humanos produzem conhecimento como enorme ferramenta para suas vidas.
Pois precisamos de ideias/conhecimentos para conduzir nossas vidas.
Questões
de fundos/fundamentais nos obrigam a ter respostas (recebidas prontas ou as
formulamos).
Quais
seriam essas perguntas?
Diferentemente
das perguntas que podem ser respondidas pela experimentação (nos laboratórios,
pelas ciências), essas perguntas pedem-nos um trabalho de pensar. Não são
frutos de experiências. Exigem o pensamento, exigem elaboração e reelaboração –
um trabalho chamado de reflexão.
Quais
seriam essas perguntas?
Ontologia
O
que é a realidade na qual estamos e da qual fazemos parte? O que é real e o que
é aparente? A realidade é tudo que existe. E o que existe? Se a resposta for que
o que existe é apenas o mundo material e o ser humano, dentro desse real, é
apenas um composto material, sem nada de espiritual, sem nada além da matéria,
tende-se a lidar com os seres humanos apenas como seres da natureza. Por essa
perspectiva, na educação, se cuidará apenas corpo, das funções do organismo,
etc. Se a realidade for entendida como dupla, material e espiritual -- espiritual
que interfere e determina a realidade material, sendo os seres humanos dotados
de um princípio espiritual, a educação, com base nessa perspectiva, vai cuidar
do ser humano como ser corpóreo, da natureza, e ao mesmo tempo, enquanto ser
espiritual. Daí, vai variar o conceito de ser espiritual.
Antropologia
filosófica
O
que é o ser humano? E uma pessoa? Há sentido para a existência humana? Qual o
sentido da vida, de nós existirmos. O que é gente? O que é ser gente? Com base
nas respostas a essas perguntas que orientamos o processo de formação de
crianças e jovens. Educa-se ou trabalha-se na educação para ajudar crianças e jovens
a serem pessoas de alguma maneira. Outra pergunta seria: qual é a maneira boa
de ser gente boa? Todo educador precisa pensar sobre isso.
Teoria do
conhecimento
Para
quê conhecimento? O que é conhecimento? E conhecimento verdadeiro? Ele é
necessário à vida humana? Por que o professor precisa justificar a importância
do conhecimento para si e para os alunos.
Axiologia (abrange Ética, Estética, Política)
[palavra
grega que significa estudo dos valores]
Por
que os seres humanos valoram? O que são valores? Valorar significa ter
preferências, gostar e não gostar.
Ética (diz respeito aos
valores morais, orientadores da maneira de agir, as regras de conduta. Na
educação, temos que discutir com os alunos qual é a conduta é boa e porquê. Não
há respostas experimentais para essas questões, daí o papel da filosofia)
O
que é agir bem? Quando uma ação é boa, má, justa, injusta?
Estética (sensibilidade)
Por
que há apreciações estéticas e produções daí decorrentes, como a arte? Por que
dizemos que algo é belo ou feio? A manifestação da sensibilidade está nas
artes.
Filosofia social e
política
O
que é a vida social? Por que sociedade? O que é o poder e como combiná-lo com
liberdade? O que é cidadania?
Política diz respeito à
vida das pessoas em sociedade. Dentro das sociedades, temos relacionamentos
regulados por normas (aceitas ou impostas). Em todas as sociedades humanas, há
alguém que manda (ou quer mandar) e exerce o poder. As relações de poder
demandam perguntas: por que elas existem, por que existe o poder; ele é
necessário, ele não conflita com a liberdade das pessoas?
Lógica (diz respeito a
como raciocinamos, como produzimos argumentação)
O
que é raciocinar? E inferências? O que é raciocinar bem? O que é argumentação?
Filosofia da
educação
O
que é educar? O que a filosofia pensa que seja “educação”? Onde as pessoas se
educam? Professor é um educador?
Videoaula 2
O que entender por
Filosofia - Parte 2
Prof.
Marcos Antônio Lorieri
Livros de
introdução à filosofia:
ARANHA,
Maria Lúcia de A; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando. São Paulo: Moderna,
2005.
ARANHA,
Maria Lúcia de A; MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. São Paulo:
Moderna, 2005.
CHAUÍ,
M. Convite à Filosofia. 13ª edição, São Paulo: Editora Ática, 2005.
CHAUÍ,
M. Introdução à história da Filosofia: Dos pré-socráticos a Aristóteles. SP:
Companhia das Letras, 2002.
CHAUÍ,
M. Filosofia: Série Novo Ensino Médio. São Paulo: Ática, 2000.
CHAUÍ,
M. Filosofia: volume único. São Paulo: Ática, 2005.
CORDI,
C. et al. Para filosofar. São Paulo. Scipione, 2000.
COTRIM,
Gilberto. Fundamentos da Filosofia: história e grandes temas. 15a ed. São
Paulo. Saraiva, 2000.
CUNHA,
J. A. Filosofia: iniciação à investigação filosófica. Campinas: Alínea, 2009.
MARCONDES,
D. Iniciação à história da filosofia: Dos pré-socráticos a Wittgenstein. 12ª
edição, RJ: J. Zahar, 2008.
SAVATER,
F. As perguntas da vida. São Paulo, Martins Fontes, 2001.
SÁTIRO,
A; WUENSCH, A.M. Pensando melhor; iniciação ao filosofar. 3ª ed. São Paulo.
Saraiva, 2000
SEVERINO,
A. J. Filosofia no Ensino Médio. São Paulo. Cortez, 2014.
SOUZA,
S.M.R. Um outro olhar: Filosofia. São Paulo. FTD,1995.
Não
são livros para serem lidos como romances, de maneira corrida. São para pensar
e repensar a respeito do que as leituras provoquem. Talvez para provocarem espanto
ou admiração. Como em Platão e Aristóteles. Espanto e admiração são atitudes
que provocam o filosofar. Admirar é olhar algo de maneira atenta, intrigante e
curiosa. “Admirar”: mirar para algo de maneira curiosa.
Em
Aristóteles: é admiração que leva os homens a filosofar. Eles admiram-se das
coisas estranhas com que esbarram. Depois, avançam pouco a pouco e começam a questionar
as fases da lua, o movimento do sol e dos astros e, por fim, a origem do
universo inteiro. Para Platão, nosso olho nos faz participar do espetáculo das
estrelas, do sol e da abóbada celeste. Este espetáculo nos incitou a estudar o
universo inteiro. De lá, nasce para nós a filosofia, o mais preciso bem
concedido pelos deuses à raça dos mortais. Em um dos diálogos de Platão: esta
emoção, a admiração, é própria do filósofo: nem tem a filosofia outro princípio
além deste [diálogos de Platão: obras que chegaram até nós, escritas na forma
de conversa. Nesse caso: Teeteto].
Retomando
Calvin e Haroldo [a tirinha de reverência à TV como um deus]. Há espanto nos
cérebros que parecem com tigelas de tapiocas mornas? Eles se admiram,
filosofam? Esses cérebros são guiados por quem se dá ao trabalho de pensar para
aqueles que não querem pensar – os mesmos passivos que os guias não querem que
pensem/filosofem.
Para
certa elite intelectual, ligada ao poder dentro da sociedade, não interessa que
as pessoas se admirem, se espantem e, então, filosofem.
As
repostas às “questões de fundo” nunca são definitivas. São produzidas por sistemas filosóficos que têm disputado
a hegemonia de suas indicações no palco da história humana. Por que será?
Porque quem dita essas respostas podem dar a orientação da sociedade e podem
ser usadas por quem está detém o poder na sociedade, estando atreladas às
necessidades políticas, econômicas, educacionais, etc.
Desde
a Antiguidade Clássica (Grécia e Roma), há a necessidade da busca pelo conhecimento
(entendimento a respeito da vida e dos fenômenos diversos – tanto naturais como
sociais).
Na
Grécia, três grandes filósofos marcaram a maneira de pensar (não apenas da
época, mas também de épocas diferentes):
Sócrates
Platão
Aristóteles
Roma
dominou a Grécia e absorveu principalmente a filosofia de Platão.
Ao
longo da Idade Média desenvolveu-se a filosofia medieval, conhecida como
Filosofia Escolástica, que absorve as ideias aristotélicas e platônicas. Santo
Agostinho (Platão) e São Tomás de Aquino (Platão e principalmente Aristóteles).
Na escolástica, vigora o sobrenaturalismo. Há uma realidade natural e uma
sobrenatural. São duas instâncias. Tudo se refere a Deus (teocentrismo). A
realidade é sobrenatural e material (criados por Deus). Há prioridade para o
sobrenatural. O homem é corpo (mortal) e alma (imortal), criados por Deus. Sua
finalidade é o sobrenatural. A razão humana pode chegar ao conhecimento, desde
que não contrarie a revelação divina. Sobre o conhecimento: a verdade vem de
Deus, que a revela. Cabe ao homem buscar a palavra de Deus, podendo chegar à
verdade por sua razão, mas não podendo contradizer a palavra de Deus. Assim, os
princípios que devem reger a moral (Ética) são ditados por Deus. Logo, moral
religiosa. A sociedade é baseada nas normas divinas. O poder é providenciado
por Deus. Daí decorre a teoria do direito divino dos reis. Assim, clero e
nobreza são o poder.
Para
além das grandes mudanças econômicas, sociais e políticas, a Idade Média finda
com a mudança na maneira de pensar das pessoas.
As
novas maneiras de pensar, ou seja, as novas filosofias, opõem: naturalismo e
sobrenaturalismo. [base inicial para o desenvolvimento do pensamento científico]
a natureza é que deveria ser o grande interesse das pessoas]; e humanismo
(antropocentrismo) e teocentrismo [base inicial para o racionalismo moderno].
Dois
grandes filósofos modernos:
René
Descartes (1596-1650): discurso do
método
John
Locke (1632-1704): teoria do
conhecimento, filosofia política e social
Mais
para frente:
Para
Immanuel Kant (1724-1804), a razão humana deve orientar o ser humano na
condução da sua vida. A vida humana deve ser iluminada nas luzes da razão, daí
o Iluminismo. O ser humano é um ser
pensante (racional) que, com as luzes da razão, deve orientar sua maneira de
ser e agir. Na iluminação da razão (iluminismo), o homem encontra os princípios
do agir: ética.
Outros
filósofos de destaque desse período: Nicolau Maquiavel (1469-1527), Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu (1689-1755), Thomas Hobbes (1588-1679), Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Na área da
educação, destaque para Rosseau, Kant, Denis Diderot (1713-1784).
Depois
de Kant, há dois grandes movimentos filosóficos ao longo dos séculos XIX e XX:
Positivismo/cientificismo
(Augusto
Comte – 1798-1857): conhecimento
científico como o único possível de ser verdadeiro. Por conta disso, as
ciências têm grandes avanços e as sociedades são influenciadas pela sua
aplicação. Com duas importantes consequências para a educação: caberá a escola transmitir
esse conhecimento; classificação das ciências e fragmentação do conhecimento em
disciplinas (essa fragmentação é um efeito colateral que, hoje, tem sido
combatido – com a busca pela interdisciplinaridade).
Materialismo
histórico dialético
(Karl Marx – 1818-1883): a luta de
contrários move a história (dialética), historicidade, igualdade dos seres
humanos (socialismo), ser humano como um ser que faz e se realiza nas práxis.
Georg
Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831):
pai da dialética
Marx:
materialismo histórico dialético
Período
conturbado, marcado pelas duas grandes guerras mundiais. O cientificismo é colocado
sob suspeita e há críticas à racionalidade instrumental.
Ao
término do século XX, há descrédito em relação à própria humanidade, fazendo surgir
filosofias do absurdo e da desconstrução. Ganham ênfase as grandes questões de
fundo. Novos grandes esforços de reflexão são realizados. Surge o que se
denomina de pensamento pós-moderno.
Videoaula 3
Relação Filosofia
e Educação - Parte 1
Prof.
Marcos Antônio Lorieri
Menção
a Projeto Integrado como forma de avaliação da disciplina.
Relação
muito estreita entre educação e filosofia.
Para
Demerval Saviani (brasileiro), a
filosofia da educação é o processo de reflexão rigorosa, radical e de conjunto
sobre problemas (questões) que a realidade educacional apresenta. O primeiro
grande problema é pensar o que é o ser humano. Se não se tem a ideia do que é o
ser humano (e, principalmente, o ser humano bom), não há como organizar a
educação, pois a educação visa a formação do ser humano. Outras questões: é
possível educar, é legítimo educar? Educar é interferir na vida dos jovens.
Relação entre teoria e prática.
Antônio
Joaquim Severino. Três caminhos para
a filosofia da educação. Primeiro: a construção de uma imagem de ser humano
(qual ser humano queremos formar?). Segundo: a filosofia contribui com uma
reflexão voltada para os fins e os valores (ética) que norteiam a ação
educativa. Terceiro: tarefa epistemológica: processo de produção, de sistematização
e de transmissão do conhecimento, presentes no processo educativo.
Quarto
caminho: questões relativas à organização da sociedade, sob temática política e
social, bem como da busca pela compreensão da historicidade humana.
Para
os pensadores Saviani e Severino, a educação vista formar jovens para serem
humanos, sendo a filosofia a fonte de referências para se buscar essa alguma
maneira de ser gente.
Resumo
sobre os tópicos previstos para as próximas aulas.
As
temáticas de diversas áreas de investigação filosófica têm sido abordadas em
diversas direções, com impacto nas orientações das práticas educativas.
Conforme a posição filosófica, será a maneira de educar. Três grandes
orientações filosóficas rebatem no discurso pedagógico: idealismo, naturalismo,
perspectiva histórico-social.
Idealismo:
concepção idealizada de ser humano, com base em alguma doutrina cogitada ou
pensada distanciadamente das práticas humanas historicamente dadas. Só pensa, não
leva em conta a realidade objetiva, concreta, histórica da pessoa. Produz uma
forma artificial de trabalhar a educação. Para Severino, trata-se de idealismo
filosófico educacional.
Naturalismo:
é uma posição também idealizada, assenta-se nos conhecimentos científicos e
afirma a existência de uma natureza humana que a educação deve ajudar a
realizar. Marcada pelo cientificismo. Para Severino, o ser humano não pode ser
reduzido aos seus aspectos biológicos, como uma cópia abstrata da natureza.
Perspectiva
histórico-social: busca a compreensão do ser humano no seu acontecer histórico
e social, sem idealizações. Para Severino, um caminho para se trabalhar sob
esta perspectiva é investigando a realidade prático-social e histórica dos
seres humanos, pois o educando só pode ser apreendido no interior de mediações
históricas e sociais concretas. Educabilidade. Conhecer os alunos e suas
realidades, para levá-los em consideração, não significa se adequar a tudo, mas
levar essas realidades em conta, adaptar e devolver aos alunos, como resultado
das nossas reflexões.
Videoaula 4
Relação Filosofia
e Educação - Parte 2
Prof.
Marcos Antônio Lorieri
O
educador profissional é aquele que pretende atuar intencionalmente nas diversas
atividades próprias da relação educativa. Todos os educadores têm – ou devem
ter – intencionalidade educativa. Para isso, necessita sólida formação sobre
sua área e sobre filosofia, para que possa indagar-se sobre o quê ensinar e o
como ensinar. A decisão sobre os caminhos ou as direções do educar envolve, no
mínimo, os seguintes percursos, que são próprios da formação do educador:
Hominização/humanização
(caminhos do ser gente)
Pensar/conhecer
(caminhos do conhecimento)
O
valorar/valorar moral (caminhos da ética)
O
valorar estético (caminhos da estética)
Do
ser/da vida em sociedade (caminhos da política)
O
próprio significado da ação educativa (caminhos da filosofia da educação)
Em
todos os momentos das interações sociais, todos estão se educando mutuamente,
mas sem a intenção clara de se educar, sem ideias de resultados educativos. O
educador é aquele que tem intencionalidade clara, tanto com resultados ou
quantos meios para atingir certos fins.
Para
Severino, formação é processo do devir humano como devir humanizador, mediante
o qual o indivíduo natural devém um ser cultural, uma pessoa. Processo da
humanização. Processos formais de educação – processo escolar é um desses
processos. A universidade é outro.
Para
Severino, a formação universitária não esgota a necessidade formativa dos
jovens universitários. Há que se ter presente o “desenvolvimento ao máximo da
sensibilidade ética, estética [e epistêmica] das pessoas, com vistas ao
delineamento do ‘telos’ [que significa finalidade] da vida e da própria
educação, o que só pode ser feito graças a uma profunda percepção da condição
humana”. Na prática, desenvolver as sensibilidades epistêmica, ética, estética,
política e antropológica é desenvolver-se com a ajuda da formação filosófica.
Exemplos
de engenheiro (civil), dos médicos, advogados e sua relação com a formação
filosófica sólida, tendo trabalhado todas as sensibilidades. No exemplo dos
professores, eles também precisam ser sensíveis a todos os aspectos
filosóficos.
Todos
os campos da atividade humana exigem uma formação que implique o
desenvolvimento das sensibilidades, e desenvolvam o gosto pelo pensar, sob pena
de a universidade prestar-se a formar sonâmbulos (Hanna Arendt – 1906-1975). Nenhum profissional atuará só como técnico e
sim como cidadão, como quem se posiciona politicamente, esteticamente,
antropologicamente, epistemologicamente, eticamente. A técnica é [só] a
extensão do braço do homem (para o filósofo Adorno): ela em si, não basta. A
supervalorização da técnica leva ao esvaziamento dos pressupostos humanizadores
da ação humana e à racionalidade instrumental.
Exemplo
dos engenheiros a serviço do nazismo, conduzidos pela racionalidade
instrumental, que imprimiram eficiência ao sistema ferroviário sem a
preocupação com os fins: levar prisioneiros para os campos de concentração.
Vivemos
em uma época na qual se dá muito prestígio à informação, mas temos que saber
utilizá-la, saber articulá-las para produzirmos conhecimento (Savater, 2001,
p.5) – daí decorre a função a filosofia.
Vídeo de Apoio
Sócrates - Univesp
TV
Filme
de animação. Fala de Sócrates. Filho de escultor e parteira. O que é a essência
do homem? Era contemporâneo dos sofistas: retóricos de aluguel, que faziam
defesas a partir de remuneração. Sócrates não deixou escritos. Notabilizou-se
pelos escritos de Platão, seu discípulo. Ironia socrática. Dialética socrática.
Contrapor argumentos contrários. Tese, antítese e a síntese (logo, afirmação,
oposição à afirmação e, do embate, de ambos, surge a síntese, que é o resultado
do raciocínio). Só sei que nada sei. Para Sócrates, sábio é o homem capaz de
perceber seus limites e ilusões e com a razão controlar-se. Foi acusado de
corromper os jovens e negar os deuses atenienses, sendo condenado ao
envenenamento por cicuta.
Vídeo de Apoio
Platão - Univesp
TV
Filme
de animação. Fala de Aristócles (conhecido por Platão, por conta de ter ombros largos,
amplos). Fase áurea da democracia ateniense. Teoria do Governante Filósofo.
Preso e vendido como escravo. Resgatado pelos amigos. Discípulo de Sócrates.
Fundou sua academia, inspirado nas comunidades pitagóricas. Escritos
filosóficos na forma de diálogos. Divididos em três fases. foi influenciado por
Sócrates e Aristóteles. Paideia (educação). Mito da Caverna. O filósofo é o
prisioneiro fugitivo da caverna, que volta do dia verdadeiramente iluminado
para contar aos demais sobre as verdades sob a luz. O mundo das ideias é
imutável. O filme traz uma lista dos diálogos, nomeando-os.
Vídeo de Apoio
Aristóteles -
Univesp TV
Filme
de animação. Fala de Aristóteles, que não nasceu em Atenas. Era da Macedônia.
Foi para Atenas atraído pela Academia de Platão. Fundou o Liceu (ou escola
peripatética). Peripatos: jardins do liceu. Os que passeiam. Grande
sistematizador dos conhecimentos da época. Escreveu 120 obras (sobreviveram 40,
com destaque para 7 obras). Conceito de catarse. Crítico da teoria das ideias.
Para ele, as ideias das coisas estavam justamente dentro das coisas (ao
contrário de Platão). A natureza apresenta padrões e há uma hierarquia dos
seres. Daí se concluir a essência dos seres. Potencial para real. Na metafísica
de Aristóteles tudo é movido por uma força.
Vídeo de Apoio
Filosofia e
Educação - UniRio
Prof. Dr. Miguel
Angel Barrenechea
Filosofia
é uma disciplinar milenar. Questões específicas de filosofia e educação.
Prof. Luis Cesar
F. Oliveira
Dimensão
estética da educação.
Estética
é a parte da filosofia que trata das perspectivas do belo e do feio, a partir
de parâmetros estabelecidos por vários filósofos. Somos condicionados a gostar
de determinados padrões. A educação pode nos propiciar instrumentos que nos
possibilite rejeitar esses padrões.
Prof. Mario José
Dias
Dimensão
prática da ética na educação, da ética na sala de aula.
Nossa
sociedade vive em uma carência ética, fácil de ser percebida no noticiário.
Pretende-se criar uma reflexão profunda sobre o papel da ética e da educação.
Que tipo de cidadão estamos formando?
Fichamento
dos textos
1.
Filosofia da
Educação /
Aula 1 / Uma Possível Noção de Filosofia – Parte I
Marcos
Antônio Lorieri
“A
Filosofia é uma das formas de saber produzidas pela humanidade para tentar dar
conta de certas ‘questões importantes’, também chamadas ‘questões de fundo’.
Savater (2001) as denomina ‘As perguntas da vida’. Este é o título de um de
seus livros. As ‘questões de fundo’ são postas por todas as pessoas e indicam
necessidade de ‘respostas’ a elas. Indicam, também, a necessidade de
constantemente retomar estas questões e de avaliar as respostas dadas. As ‘respostas’
têm sido produzidas por sistemas filosóficos que têm disputado a hegemonia, ou
a predominância, de suas indicações no palco da história humana. Esta disputa
está relacionada a outras disputas relativas a necessidades igualmente
importantes como: as necessidades econômicas; as necessidades políticas; as
necessidades educacionais; etc.” (p.3). “Pode-se pensar a Filosofia enquanto
processo de filosofar que gera um resultado objetivado nas obras dos chamados ‘grandes
filósofos’: o ‘conhecimento filosófico’ acumulado historicamente. Tal processo
gera, também, estilos de filosofar, maneiras de pensar filosoficamente. Estudar
Filosofia é tanto o estudar como o produzir filosofia, quanto estudar as
produções filosóficas acumulada historicamente. Ambos os estudos constituem o
objeto de investigações especializadas na área da Filosofia” (p.4). “Algumas
destas ‘questões de fundo’ e as áreas da Filosofia que a investigam, [quando] reunidas
em grandes temas, constituem as áreas da investigação Filosófica. São questões
sobre a realidade em geral e seu possível sentido: área da ontologia; sobre o ser humano e o significado de sua existência:
área da antropologia filosófica;
sobre o conhecimento, sua importância, sua possibilidade objetiva de nos dizer
verdadeiramente do mundo e de nós mesmos: área da teoria do conhecimento; sobre o processo de valoração em geral:
área da axiologia; sobre o processo
de valoração moral: área da ética;
sobre o processo de valoração a respeito das manifestações da sensibilidade
humana, por exemplo, as manifestações artísticas: área da estética; sobre a sociabilidade e, nela, sobre o poder e, neste
âmbito, sobre a liberdade: área da filosofia
social e política” (p.4). “Há outras questões e temáticas, como a da
linguagem, a da história, a do raciocínio e argumentação (esta última é a área
da lógica), etc. Quando a investigação
filosófica se debruça sobre o fato da educação e o examina à luz de todos os
aspectos filosóficos que o envolvem, temos o campo da Filosofia da Educação. A maneira de trabalhar investigativamente as
questões mencionadas deve se ater, no mínimo, às exigências básicas de reflexão,
de criticidade, de sistematicidade, de profundidade e de abrangência
contextualizadora de significações ou sentidos” (p.5). “A Filosofia é um grande
esforço de articulação do sentido: ela é a busca constante, a bem-querença, o desejo
amoroso da sabedoria: Filos (amizade,
bem-querença) da Sofia (sabedoria):
Filosofia” (p.5-6). “Paulo Freire, neste sentido adverte: ‘Ao não perceber a
realidade como totalidade, na qual se encontram as partes em interação, se
perde o homem na visão “focalista” da mesma. A percepção parcializada da
realidade rouba ao homem a possibilidade de uma ação autêntica sobre ela’
(1992, p.34)” (p.6-7). “É nesta direção, na busca desta perspectiva da
significação necessária da realidade e do ser humano nela que se deve ver o
esforço do filosofar. Esforço este, no caso das crianças e dos jovens, inicial
e propedêutico de um possível filosofar ‘mais amadurecido’ que tem, como
pré-condição, um processo que precisa acontecer desde o mais cedo possível sob
pena de não poder ser nunca atingido. Aliás, atingido, ‘apenas’, como ‘mais
amadurecido’: acabado, nunca! Pois, ele vai se fazendo sempre. Re-fazendo-se no
seu perguntar contínuo que repõe, sempre, as mesmas questões de fundo,
avançando, por certo, não as respostas como definitivas, mas a própria
humanidade: ‘As respostas (definitivas), são traição das questões’ (MATOS, 1997, p.11)” (p.7-8).
2.
Filosofia da
Educação /
Aula 2 / Uma Possível Noção de Filosofia – Parte II
Marcos
Antônio Lorieri
“Há
outras formas de saber, além da Filosofia: o conhecimento do senso-comum, a
ciência, a religião, a arte, o mito” (p.2). “No fundo, o ser humano produz
saberes ou conhecimentos para viver bem. Cada forma de conhecimento traz
contribuições específicas para a vida humana. Quem inventou ou criou estas
formas de conhecimento foram os próprios seres humanos ao longo da História da
Humanidade. Conhecimentos e saberes são produções humanas destinadas a ajudar
os seres humanos a viverem melhor. Conhecer é algo necessário para a espécie
humana. O conhecimento filosófico faz parte do conjunto desses conhecimentos necessários,
porque é com ele que buscamos e produzimos ‘respostas’ para as tais ‘questões
de fundo’ ou para ‘as perguntas da vida’” (p.2-3). “Para Platão e Aristóteles, a
admiração ou o espanto em relação a tudo o que existe conduz os seres humanos
ao filosofar. Paulo Freire gostava desta palavra (admirar). Ele a registra em
alguns textos assim: ‘ad-mirar’. Mirar é olhar e ‘ad’ significa: ‘para’.
Admirar é olhar para algo de maneira intrigante e curiosa” (p.3-4). “A formação
filosófica das pessoas tem como objetivo fazê-las pensar admirativamente sobre
as questões de fundo e sobre respostas dadas a elas. Aí reside sua ‘utilidade’.
Muitas vezes é dito que a Filosofia não serve para nada, não tem utilidade”
(p.5). “Matthew Lipman, pensador norte-americano e criador de um programa de
ensino de filosofia para crianças, justifica a iniciação de crianças e jovens no
filosofar para que não cresçam com posturas passivas e não indagativas em
relação às respostas que encontram prontas nos ambientes nos quais vivem, como
muitas vezes ocorre com os adultos com os quais convivem” (p.5). “Edgar Morin
reúne, em suas ideias, dois importantes papéis educativos do filosofar: 1. o de
provocar e manter vivo o interesse pelos problemas humanos fundamentais e 2. o
de provocar para a reflexão, para a problematização e para a crítica ou exame
rigoroso de tudo o que é dito ou afirmado. Não só provocar, mas ajudar a
desenvolver esta forma de pensamento: A filosofia deve contribuir eminentemente
para o desenvolvimento do espírito problematizador. A filosofia é, acima de
tudo, uma força de interrogação e de reflexão, dirigida para os grandes
problemas do conhecimento e da condição humana (MORIN, 2002, p. 23)”
(p.6). “Sérgio Paulo Rouanet, em um
artigo, discute, dentre outros assuntos, a diferença entre informação e
conhecimento. Diz ele que não se pode tratar informação e conhecimento como se
fossem sinônimos (ROUANET, 2002, p. 14)” (p.7). “A informação, por si mesma, não
é ruim: pelo contrário, ela é fundamental. Sem ela não há conhecimento. Este,
na verdade, é uma elaboração significativa, organizada com informações” (p.7). “Conhecimento,
diferentemente da pura informação, questiona finalidades, questiona o uso de
meios, coloca necessidades humanas fundamentais acima de puros êxitos técnicos
ou funcionais. Só que, para tanto, um conhecimento realmente humano, não pode ser
um processamento de informações sem o concurso da reflexão filosófica e das
humanidades. Ele precisa ser sempre um conhecimento mais abrangente” (p.7). “Severino
concorda com as ideias de Morin e Rouanet sobre a necessidade de oferecer
formação filosófica juntamente com a formação científica, quando diz: Assim, se
os conhecimentos científicos nos ajudam a entender as coisas, são os
conhecimentos filosóficos que nos ajudam a compreendê-las, ou seja, a situá-las
no conjunto de sentidos que norteiam a existência humana, a atribuir-lhes um
sentido articulado numa rede maior de sentidos dessa existência, em sua
complexa condição de unidade e de totalidade (SEVERINO, 2002, p. 189)” (p.7). “Gallo
e Kohan apontam que a filosofia é necessária numa educação que se propõe ajudar
a formar pessoas autônomas. Só podem ser pessoas autônomas aquelas que tenham
passado por experiências de pensamento crítico, radical e criativo como as
proporcionadas pela formação filosófica” (p.8). “Para Savater, somos informados
pelas ciências da natureza, pelos técnicos, pelos jornais, por alguns programas
de televisão... mas não há informação ‘filosófica’ (...). A filosofia é
incompatível com as notícias e a informação é feita de notícias. Muito bem, mas
é só informação que buscamos para entendermos melhor a nós mesmos e o que nos rodeia?
(SAVATER, 2001, p. 5)” (p.8).
3.
Filosofia da
Educação /
Aula 3 / Relação Filosofia e Educação - Parte I
Marcos
Antônio Lorieri
“Há
uma relação muito estreita entre Filosofia e Educação. Por quê? Porque todo
esforço educativo busca algum tipo de formação de pessoas de acordo com certa
concepção de ser humano. Ou seja, dependendo do que entendemos que deva ser o
ser humano, educamos as novas gerações para serem pessoas de acordo com este
entendimento” (p.2). “A
Antropologia Filosófica é a área da Filosofia que investiga sobre o que é o ser
humano. Ora, se, ao educarmos, queremos ajudar a formar crianças e jovens para
serem seres humanos de alguma maneira, é na Filosofia que iremos buscar as
referências para a indicação desta alguma maneira de ser gente. Em toda
proposta educacional (em toda prática educativa), há sempre uma maneira de
entender o ser humano. Mesmo que esta maneira de entender o ser humano não
esteja muito clara para o educador” (p.2). “Filosofia da Educação é investigar
sobre o que é educação, sobre as finalidades da educação, sobre aspectos
básicos do educar, tais como: qual ser humano ajudar a formar, quais caminhos
seguir na sua formação ética, política, epistemológica, estética e outros” (p.3).
“As temáticas destas áreas da investigação filosófica têm sido abordadas em
diversas direções e elas têm impacto na orientação das práticas educativas. Há três
direções, denominadas idealismo educacional, naturalismo educacional e de
perspectiva educacional histórico-social. Idealismo educacional é uma das
denominações que se dá à concepção idealizada de ser humano com base em alguma
doutrina cogitada, ou pensada, ou imaginada distanciadamente das práticas
humanas historicamente dadas. Imagina-se um tipo ideal de ser humano e um tipo
idealizado de sociedade e indica-se uma prática educativa com vistas a auxiliar
a realização desse ser humano e dessa sociedade imaginada. Segundo Severino,
essa maneira de fazer filosofia da educação pode ser denominada de idealismo
filosófico-educacional. Naturalismo é uma posição assentada nos conhecimentos
científicos, que afirma a existência de uma natureza humana que a educação deve
ajudar a realizar. Segundo Severino, esta é uma posição que reduz o ser humano
a seus aspectos puramente biológicos. Ele se posiciona contrário a esta visão,
dizendo: ‘os educandos, sujeitos que se educam e que buscam educar, não podem
ser reduzidos a cópias de uma abstrata natureza humana nem a artefatos biológicos’
(2001, p. 135). Perspectiva histórico-social é aquela que busca a compreensão
do ser humano no seu acontecer histórico e social – sem idealizações. Afirma
que o ser humano é resultado de suas interações com a Natureza e com os demais
seres humanos em dadas circunstâncias históricas e sociais. Na visão, ainda, de
Severino, a compreensão do humano pode ser encontrada apenas na investigação
sobre a realidade prático-social e histórica dos seres humanos” (p.4-5).
4.
Filosofia da
Educação /
Aula 4 / Relação Filosofia e Educação - Parte II
Marcos
Antônio Lorieri
“Uma
relação importante da Filosofia com a Educação é a do papel educativo da
Filosofia na formação do Educador” (p.2). “Parte-se aqui de uma convicção
inicial: o educador como pessoa e como um profissional, que pretenda atuar
intencionalmente nas diversas atividades próprias da relação educativa, necessita
de uma sólida formação filosófica, além de outras” (p.2). “A necessidade da
formação filosófica do professor educador decorre do fato que lhe cabe decidir
por caminhos que pretende oferecer como bons aos seres humanos em formação com
os quais entra em relação educativa. A reflexão filosófica ajuda na busca e na
definição de caminhos, de direções, de significados” (p.2). “Ser educador
professor não é como ser educador nas relações que ocorrem no dia a dia, quase sempre
sem uma intenção clara. O educador profissional é aquele que tem, em primeiro
lugar, intencionalidade clara, quer quanto aos resultados possíveis (os fins,
os objetivos, etc.), quer quanto aos meios que possam auxiliar na busca desses
fins. Em segundo lugar, cabe-lhe pensar, com a maior clareza possível, os aspectos
mencionados acima, tendo em vista servir-se deles como referenciais abrangentes
para o pensar e o agir educacionais que devem caminhar imbricados
dialeticamente” (p.3). “Educadores que atuarão em escolas (como é o caso de
licenciados), precisam ser sensíveis a muitíssimos aspectos que envolvem o
conhecimento (epistemologia), as regras do bom agir (moral e ética), o que
significa ajudar a formar pessoas (antropologia), as influências sociais e políticas
na educação e, por sua vez, as implicações sociais e políticas de toda ação educativa
(filosofia social e política) e a necessidade de uma boa formação estética para
crianças e jovens. Todos os campos da atividade humana exigem uma formação que
implique o desenvolvimento das sensibilidades mencionadas, sob pena de a universidade
prestar-se a formar sonâmbulos, no dizer de Hanna Arendt – uma importante
filósofa do Século XX. Segundo ela, pessoas que não pensam e não refletem
criticamente, sobre o que ela denomina de perguntas irrespondíveis (as tais
“questões de fundo” ou as “perguntas da vida”), são pessoas que se tornam
banais e que banalizam o mundo e as relações que nele se estabelecem” (p.5). “A
universidade deve prover formação para o bem pensar a todos os profissionais que
por ela passam, pois a educação universitária não pode se restringir apenas à
formação científica e técnica e, menos ainda, apenas à preparação técnica dos
futuros profissionais que atuarão na sociedade. Até porque, nenhum profissional
atuará apenas como técnico: ele atuará como cidadão, como alguém que se
posiciona politicamente, esteticamente, antropologicamente,
epistemologicamente, eticamente” (p.6).
Para
saber mais:
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