quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Negócio de menino com menina - Ivan Ângelo. O ladrão de sonhos e outras histórias (Sala de Aula)



Negócio de menino com menina

O menino, de uns dez anos, pés no chão, vinha andando pela estrada de terra da fazenda com a gaiola na mão. Sol forte de uma hora da tarde. A menina de uns nove anos ia de carro com o pai, novo dono da fazenda. Gente de São Paulo. Ela viu o passarinho na gaiola e pediu ao pai:
– Olha que lindo! Compra pra mim?
O homem parou o carro e chamou:
– Ô menino.
O menino voltou, chegou perto, carinha boa. Parou do lado da janela da menina. O homem:
– Este passarinho é pra vender?
– Não senhor.
O pai olhou para a filha com uma cara de deixa pra lá. A filha pediu suave como se o pai tudo pudesse:
– Fala pra ele vender.
O pai, mais para atendê-la, apenas intermediário:
– Quanto você quer pelo passarinho?
– Não tou vendendo não senhor.
A menina ficou decepcionada e segredou:
– Ah, pai, compra.
Ela não considerava, ou não aprendera ainda, que negócio só se faz quando existe um vendedor e um comprador. No caso, faltava o vendedor. Mas o pai era um homem de negócios, águia da Bolsa, acostumado a encorajar os mais hesitantes ou a virar a cabeça dos mais recalcitrantes:
– Dou dez mil.
– Não senhor.
– Vinte mil.
– Vendo não.
O homem meteu a mão no bolso, tirou o dinheiro, mostrou três notas, irritado.
– Trinta mil.
– Não tou vendendo, não, senhor.
O homem resmungou “que menino chato” e falou pra filha:
– Ela não quer vender. Paciência.
A filha, baixinho, indiferente às impossibilidades da transação:
– Mas eu queria. Olha que bonitinho.
O homem olhou a menina, a gaiola, a roupa encardida do menino, com um rasgo na manga, o rosto vermelho de sol.
– Deixa comigo.
Levantou-se, deu meia volta, foi até lá. A menina procurava intimidade com o passarinho, dedinho nas gretas da gaiola.
O homem, maneiro, estudando o adversário:
– Qual é o nome deste passarinho?
– Ainda não botei nome nele, não. Peguei ele agora.
O homem, quase impaciente:
– Não perguntei se ele é batizado não, menino. É pintassilgo, é sábia, é o quê?
– Aaaah. É bico-de-lacre.
A menina, pela primeira vez, falou com o menino:
– Ele vai crescer?
O menino parou os olhos pretos nos olhos azuis.
– Cresce nada. Ele é assim mesmo, pequenininho.
O homem:
– Canta?
– Canta nada. Só faz chiar assim.
– Passarinho besta, hein?
– É. Não presta pra nada. É só bonito.
– Você pegou ele dentro da fazenda?
– É. Aí no mato.
– Essa fazenda é minha. Tudo que tem nela é meu.
O menino segurou com mais força a alça da gaiola, ajudou com a outra mão nas grades. O homem achou que estava na hora e falou já botando a mão na gaiola, dinheiro na outra mão.
– Dou quarenta mil! Toma aqui.
– Não senhor, muito obrigado.
O homem, meio mandão:
– Vende isso logo, menino. Não tá vendo que é pra menina?
– Não, não tou vendendo não.
– Cinquenta mil! Toma! – e puxou a gaiola.
Com cinquenta mil se comprava um saco de feijão, ou dois pares de sapatos, ou uma bicicleta velha.
O menino resistiu, segurando a gaiola, voz trêmula.
– Quero não senhor. Tou vendendo não.
– Não vende por que, hein? Por quê?
O menino acuado, tentado explicar:
– É que eu demorei a manhã todinha pra pegar ele e tou com fome e com sede, e queria ter ele mais um pouquinho. Mostrar pra mamãe.
O homem voltou para o carro, nervoso. Bateu a porta, culpando a filha pelo aborrecimento.
– Viu o que dá mexer com essa gente? É tudo ignorante, filha. Vam’bora.
O menino chegou pertinho da menina e falou baixo, para só ela ouvir:
– Amanhã eu dou ele pra você.
Ela sorriu e compreendeu.

Ivan Ângelo. O ladrão de sonhos e outras histórias.
São Paulo: Ática, 1994. p 9-11
































joralimaTEXTO

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Fika a Dika - Por um Mundo Melhor: Dicas que Facilitam a Sua Vida

Fika a Dika - Por um Mundo Melhor: Dicas que Facilitam a Sua Vida: Estarei dando ideias de coisas que irão facilitar sua vida. Coisas do tipo: Por que não pensei nisso antes? Quer pregar um prego sem ...

domingo, 6 de agosto de 2017

Prêmio Nobel Doméstico



Como é conhecido de alguns, minha mãe de criação não foi formalmente apresentada às letras; portanto, não sabe ler e escrever e, por isso, guarda, para as palavras escritas, aquele respeito que se tem ante ao mágico e desconhecido. Ela lutou, a vida toda, para que todos aqueles muitos filhos e filhas, dela e de outros – que coube-lhe criar e educar –, frequentassem as cadeiras escolares e aprendessem o que ela quis e não pôde deter: a leitura. Desde que chegou aqui em casa, indaga-me sobre um livro de antologia, no qual, 20 poucos anos atrás, saíram três textos ruins de minha autoria. Dói só de lembrar. A “façanha literária” hoje frequenta algum lugar esquecido da minha estante. Como eu me recusara a procurar o livro, para que ela, tendo-o à mão, pudesse seguir exibindo orgulhosa o “enorme talento” do sobrinho “poeta”, ela, hoje, parou em frente à estante, contemplando-a. Vi, pelo canto do olho, que que tia Hilda tateava, com os olhos, as várias lombadas dos muitos livros para reconhecer o seu troféu de mãe que tem um filho “escritor”. Levantei, caminhei até ali e retirei o livro do lugar onde foi por mim esquecido – mas, por ela, não. Entreguei-lhe enquanto ela me dizia: “é que essa sua poesia mexe comigo”. Ganhei o domingo, claro: numa estante frequentada por Drummond, Bandeira, Dostoievski, Shakespeare e tantos outros, ser o autor preferido de alguém mexe com os brios de qualquer um. Quem precisa de Prêmio Nobel quando já tem uma tia-mãe-fã?
 Itanhaém (SP), 6 de agosto de 2017.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

REGULAMENTO DO 8° PRÊMIO IEPÊ DE POESIA/2017 - concurso de poesia

8° PRÊMIO IEPÊ DE POESIA/2017. Segue abaixo Regulamento:
REGULAMENTO DO 8° PRÊMIO IEPÊ DE POESIA/2017
1. O Prêmio IEPÊ de Poesia, que acontece a cada dois anos em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Turismo, Esportes e Lazer e com a iniciativa privada, é uma realização da Sociedade Amigos da Cultura de Iepê e do Ponto de Cultura de Iepê;
2. Objetivo: revelar novos poetas, valorizar o gênero poético e incentivar talentos literários;
3. Poderão concorrer ao prêmio pessoas residentes em todo o Território Nacional e em países de Língua Portuguesa;
4. O Prêmio será dividido em duas categorias, Infanto-Juvenil: até os 14 anos e Adulta: a partir dos 15 anos;
5. Os menores de idade só terão sua inscrição efetuada com a autorização dos pais ou responsável;
6. As inscrições serão realizadas no período de 12/06/2017 à 29/09/2017, no Museu Histórico da Igreja Presbiteriana Independente de Iepê, localizado à Rua Minas Gerais s/n, Centro (próximo à Praça D. Silvina), de segunda à sexta-feira, das 8h00 às 11h00 e das 13h00 às 16h00; ou pelo correio no endereço: Ponto de Cultura de Iepê, Rua Joaquim Severiano de Almeida n. 364, Centro, CEP: 19640-000, Iepê – SP, valendo a data da postagem. OBS: Nas poesias enviadas pelo correio deverá constar apenas o pseudônimo do autor e, em envelope lacrado, os seguintes dados: nome, RG, endereço, e-mail, fone e o título do trabalho;
7. O texto deverá obrigatoriamente ser inédito e de autoria própria. O tema do trabalho inscrito será livre, com limite de 2 laudas;
8. Cada participante poderá inscrever até 3 (três) poesias, usando o mesmo pseudônimo;
9. Cada trabalho deverá ser entregue em 3 (três) vias digitadas e impressas, fonte 12, letra Arial, em folha A4;
10. Os participantes terão seus trabalhos arquivados. Não será devolvido nenhum poema inscrito;
11. Os 3 (três) primeiros colocados de cada categoria, receberão Prêmio de incentivo artístico;
12. Os 10 (dez) primeiros trabalhos de cada categoria, selecionados pelo júri, serão publicados em livro (Antologia) no ano de 2019, em formato impresso e/ou digital;
13. A comissão julgadora será composta por 6 (seis) membros, sendo 3 (três) para a categoria Infanto-juvenil e 3 (três) para a categoria Adulta, que será soberana em suas decisões;
14. A Cerimônia de Premiação está prevista para a segunda semana de novembro de 2017, durante a II Feira do Livro de Iepê, ocasião em que será lançada a Antologia – 7º Prêmio IEPÊ de Poesia/2015.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Regulamento do Concurso de Poesias Varal Verde








PREFEITURA MUNICIPAL DE ITANHAÉM

Estância Balneária
Estado de São Paulo
Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente
Departamento de Meio Ambiente



Regulamento do Concurso de Poesias Varal Verde
CAPÍTULO I
Da realização
ARTIGO I - O Concurso de Poesias Varal Verde, será promovido pela Prefeitura Municipal de Itanhaém, por intermédio da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, através do Departamento de Meio Ambiente, em comemoração ao Dia Internacional da Literatura (08/09) e Dia da Árvore (21/09).
ARTIGO II - O Concurso de Poesias Varal Verde, tem como objetivos, incentivar a criatividade literária, incentivar o hábito da leitura e escrita, promover novos talentos literários, valorizar a arte poética, agregar a temática ambiental na construção de poesias, proporcionar um espaço de expressão poética, desenvolver as competências de reflexão e expressão por meio da palavra escrita sensibilizando para a co responsabilidade e pro atividade ambiental entre os participantes.
CAPÍTULO II
Do tema
ARTIGO III - O tema escolhido para esse Concurso será Árvore, as poesias deverão conter esse tema em sua construção, ou ser o titulo das obras.
CAPÍTULO III
Da participação
ARTIGO IV - O Concurso de será destinado ao público em geral, e estará dividido em 3 categorias:
  • Categoria Infantil – dos 08 aos 13 anos de idade;
  • Categoria Juvenil – dos 14 aos 18 anos de idade;
  • Categoria Adulto – acima de 18 anos de idade.
CAPÍTULO IV
Das inscrições de apresentações dos trabalhos
ARTIGO V - As inscrições serão realizadas gratuitamente, no período de 03 de Julho a 31 de Agosto de 2017, por meio de ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada, conforme modelo constante do Anexo A deste regulamento, no Departamento de Meio Ambiente, setor de Educação Ambiental, no Paço Municipal e na sala de leitura Harry Forssell na CEMTECE.
Parágrafo único. Os candidatos menores de 18 (dezoito) anos deverão, no ato da inscrição, entregar autorização devidamente assinada pelos pais ou responsável.
ARTIGO VI -  Cada participante poderá apresentar somente 1 (uma) poesisa, em língua portuguesa, digitados em papel A4, utilizando apenas uma das faces da folha, na fonte Arial, tamanho 12 e espaçamento 1,5 linhas.
ARTIGO VII -  As poesias deverão ser inéditas, ou seja, que não tenham sido ainda publicados, sob qualquer forma, independente de sua finalidade.
ARTIGO VIII - Em cada poesia deverá constar apenas o título e o pseudônimo do (a) participante; deverá ser utilizado somente um pseudônimo por autor (a), evitando-se qualquer elemento que possa identificar o nome do participante, sob pena de desclassificação.
 ARTIGO IX -  No ato da inscrição os participantes deverão entregar, no local previsto do presente regulamento, a ficha de inscrição acompanhada da poesia, da seguinte forma:
 I – em um envelope tamanho ofício, a ficha de inscrição conforme modelo constante no Anexo A, devidamente preenchida, estando o exterior do envelope identificado apenas com o título da poesia e o pseudônimo do(a) participante; no mesmo envelope deverá também estar incluída, em caso de candidatos menores de 18(dezoito) anos, a autorização dos pais ou responsável, devidamente preenchida e assinada.
II – em envelope de tamanho A4, devidamente lacrado, a poesia em 3 vias, estando o exterior do envelope identificado apenas com o título da poesia, o pseudônimo do (a) participante e a categoria da participação, conforme definido no art. IV deste regulamento.
§ 1º Serão desclassificados os poesias que não atenderam as recomendações previstas no caput deste artigo, como aquelas entregues fora do prazo estipulado.
CAPÍTULO VI
Da organização, julgamento, classificação e divulgação
ARTIGO X -  A Comissão Organizadora será constituída por 03 (três) membros indicados pela Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente.
Parágrafo único. Caberá à Comissão Organizadora constituir a Comissão Julgadora, coordenar e divulgar o Concurso.
ARTIGO XI - A Comissão Julgadora 7 (sete) membros, sendo 2 (dois) indicados pela Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente,  1 (um) indicado pela Secretaria Municipal de Educação, 1 (um) indicado pelo Departamento de Cultura, 1  (um) indicado pelo COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, 01 representante de uma ONG Ambientalista, e 1 (um) representante da Academia de Letras de Itanhaém.
ARTIGO XII -  A Comissão Julgadora elegerá, entre todas as poesias inscritas, os 3 (três) melhores de cada categoria, considerando critérios de criatividade, originalidade, coesão e coerência temática.
Parágrafo único. As decisões da Comissão Julgadora serão soberanas, irrecorríveis e irrevogáveis, não cabendo nenhum recurso.
ARTIGO XII -  Os resultados serão divulgados no mês de setembro, através do site oficial da Prefeitura Municipal de Itanhaém, Boletim Oficial, e aos vencedores será dado conhecimento por meio de telefone ou mensagem eletrônica.
CAPÍTULO VII
Da premiação
 ARTIGO XIII - A premiação dos 3 (três) primeiros classificados de cada categoria será entregue em  cerimônia realizada no dia 21 de setembro/2017, onde as produções de todos os participantes estarão expostas,  no Paço Municipal em horário a ser definido.
Parágrafo único. Todos os participantes receberão um certificado de participação emitidos com a inscrição “Mérito de Participação”.
CAPÍTULO VI
Das disposições gerais
ARTIGOS XIV - Para a realização desse Concurso poderão ser firmadas parcerias com outras entidades, pessoas individuais ou coletivas, públicas ou privadas, desde que salvaguardados seus objetivos e o respectivo Regulamento.
 ARTIGOS XV – As poesias inscritas neste Concurso não serão devolvidas, não havendo, porém, cessão dos mesmos, ou seja, os direitos sobre as poesias continuarão com seus respectivos autores.
ARTIGO XVI - Fica vedada a participação de parentes consanguíneos ascendentes, descendentes e em linha colateral até 2º grau (pais, mães, filhos, filhas, avô, avó, netos, netas, irmã e irmãos) dos membros da Comissão Organizadora e da Comissão Julgadora do Concurso.
ARTIGO XVII - A inscrição neste Concurso implica na aceitação irrestrita, por parte do concorrente, de todos os itens deste Regulamento.
ARTIGO XVIII - Serão automaticamente excluídos os participantes que tentarem fraudar ou burlar as regras estabelecidas neste Regulamento.
 ARTIGO XIX - Os casos omissos ao presente Regulamento serão analisados e decididos pela Comissão Organizadora do Concurso.

Itanhaém, 21 de junho de 2017