quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Consciência Negra: Museu Afro Brasil

Conforme informou o site do UOL, o Museu Afro Brasil inaugurou exposições
no dia 20 de novembro de 2008, a partir das 18h:


  • 'Walter Firmo em Preto e Branco'
  • 'Brasil, Terra de Contrastes'

O Museu Afro Brasil é considerado o maior museu afro americano do mundo e tem um acervo de cinco mil obras. É aberto ao público de terça a domingo, das 10h às 17h. A entrada é gratuita.

Veja o vídeo aqui.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Centro Universitario Maria Antonia - USP


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Cidade Universitária - São Paulo

Na foto, o Conjunto Residencial da USP, entre duas importantes praças da Cidade Universitária (Praça do Relógio de Sol -- primeiro plano -- e Praça do Relógio -- segundo plano). A Praça do Relógio foi reformada graças à doação de 1 milhão de reais do Banco Real e reprozu os seis ecossistemas do Estado de São Paulo. O os dois primeiros conjuntos de prédios, em verdade, são blocos da Reiroria da USP e estão separados dos apartamentos estudantis pela rua da Reitoria. Ao fundo, no alto da foto, é possível ver a raia olímpica, pareada com a marginal do rio Pinheiros e com o rio propriamente dito.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Aniversário de Quatro Anos da Giulia


Fábula Rápida

à Giulia

A tarde das cinderelas foi repleta de abóboras-carruagens, ratos-cavaleiros e mamães-fadas. Havia doces coloridos e tortas sorridentes. Papai e o guarda-costas Leo One também estavam lá, quietinhos e longe dos flasches das fotos. Tudo para transformar em mágico-momento uma festa de aniversário. O titio-pirilampo não pôde ir: estava iluminando, com seu brilho pisca-pisca, uma estrada muito longa chamada saudade.

Jorge de Lima
São Paulo, 13/11/2008

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Procurando Papai (ou Mamãe)

Nina




Como é dura a vida dos nossos pequenos amiguinhos de quatro patas. Veja a triste história da Nina.



"Pessoal,

Este final de semana encontrei esta linda cachorrinha tentando atravessar a rua e quase sendo atropelada.
Como já tenho dois cachorros e os dois estão com muito ciúmes da bebê, preciso doá-la com urgência.
Levei ela sábado no veterinário e já vermifuguei. A veterinária disse que ela possui aproximadamente 2 meses.

Nome: Nina (provisório, quem adotar pode mudar)
Peso: 2,3 kg
Tamanho: 30 cm (a veterinária disse que ela não deve crescer muito)
Pelagem: Branca com pintinhas pretas nas orelhas
Nariz: Rosa e Preto
Barriga: Rosa

Quem adotar será muito feliz, pois a cachorrinha é super esperta.

Abs,

Ketty de Paula
ketty.paula@atento.com.br

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Lobinho

Se a vida fosse mesmo uma fábula, poderíamos contar a história do bom Lobinho, que devorava não crianças ou vovózinhas ou maçãs: devorava livros, artigos, papers.
Ele existe, sim, é carioca, é um excelente pesquisador e, graças a Deus, meu grande amigo. Por esses dias, vai defender sua tese (sobre ratos, cálcio, frutooligossacarídeos e outros palavrões). Para ele, o único Lobo-Doutor da dupla Juju e Lili, escrevi o texto abaixo:



Primeira aula

a Alexandre Rodrigues Lobo

Um cientista é aquele que não sabe:

a ciência nasce
das dúvidas
das faltas
das tentativas.

Nunca das certezas.


Jorge de Lima
São Paulo, 27/10/2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Dono de nada

Se entendi direito, acabo de achar a versão em português da música Dueño de nada (Dono de nada):

http://www.4shared.com/account/file/31700115/cb41163/jose_luis_rodriguez_-_dono_de_nada.html

Foi lançado um disco, 1982, pela CBS/Columbia (Brasil), cujo o título do LP era Dono de Nada, de José Luis Rodriguez (pelo que consta, o primeiro venezuelano a gravar um disco em português). Este LP vendeu 90 mil cópias, quase lhe rendendo um disco de outro e marcou a guinada internacional do cantor.

Miss Brasil, Miss Universo e um mergulho em 1982

Agora eu surtei: achei uma música que ouvi apenas uma vez em 1982! Claro que a proeza só foi possível graças a minha assessora para assuntos impossíveis e musicais, Natib. E, também, ao solícito Ruber, que mantem um blogue com tudo (TUDO) sobre os concursos de misses. Ele, inclusive, tem DVD com os programas (ruber2005@bol.com.br). Por enquanto eu só achei a letra e a música em espanhol. Mas eu tenho certeza que ouvi em português (a menos que a minha memória tenha feito a façanha de lembrar "traduzindo"). Outra coisa que procuro muito e talvez o grande Ruber deva ter é a música incidental que tocava em alguns momentos dos desfiles de misses transmitidos pelo SBT. Dava um frio na barriga. Geralmente era perto do momento das notas finais. Só quem viveu e viu pode sentir. Recordar é viver? Não, recordar é reviver.




Informação prestada por:
http://universalbeauties.blogspot.com/


A letra (em espanhol):


Dueño de nada

No soy yo
el que hace crecer tu alegría
y ocupa en tu vida
un lugar especial.
No soy yo
el que te hace soñar con la luna
y ver en la lluvia
gotas de cristal.
No soy yo
ese a quien tu le dices mi dueño
no soy solo un perro
que tus haces saltar.
Y que buscas
Cuando sientes ganas
de un hombre que te haga
sentir de verdad.
Dueño de ti, dueño de que
dueño de nada
un arlequín que hace temblar
tu piel sin alma.
Dueño del aire y del reflejo
de la luna sobre el agua.
Dueño de nada,
dueño de nada.
No soy yo
el que siempre comparte tu vida
tus penas y risas
y tu realidad.
No soy yo
el que pasa las noches en vela
cuando la tristeza
Perturba tu hogar.
No soy yo
ese a quien tu le dice mi dueño
yo soy solo un perro
que tu haces saltar.
Y que buscas
cuando sientes ganas
de un hombre que te haga
sentir de verdad.
Dueño de ti, dueño de que
dueño de nada
un arlequín que hace temblar
tu piel sin alma.
Dueño del aire
y del reflejo
de la luna sobre el agua.
Dueño de nada, dueño de nada

Fonte:
http://vagalume.uol.com.br/jose-luis-rodriguez/dueno-de-nada.html

Pimpinela

Seguindo o caminho do revival, depois de Petula Clark me empolguei e achei um hit brega dos anos '80: Siga seu rumo, com a dupla argentina Pimpinela. Devo tê-los visto e ouvido umas duas ou três vezes no Gugu (sim, eu já assisti Gugu, no tempo que ele mantinha um programa chamado Viva a noite, ocupando toda a noite de sábado). A versão que eu encontrei no YouTube é um vídeo caseiro que faz graça da música. Vale a pena ouvir.






Siga seu rumo

(Pimpinela)

-> mulher
Faz tanto tempo que ele não liga pra mim
Faz tanto tempo que tudo deixou de existir
Agora que eu aprendi a viver esquecendo esse amor
Ele aparece bem tarde na noite e me diz que voltou.
m - Quem é?
h - Sou eu.
m - Que é que você quer?
h - Você.
m - É tarde.
h - Por que?
m - Porque hoje sou eu quem não quer mais você.
m - Por isso, fora, esqueca meu rosto, meu nome, esta casa, e siga seu rumo
h - Não consigo compreender
m - Fora, esqueça meus sonhos, meu corpo, meu beijo e todo meu mundo.
h - Está mentindo, posso ver
m - Fora, esqueça que eu vivo, tá tudo acabado e não se surpreenda
m - Esqueça de mim que afinal pra esquecer você tem experiência.
-> homen
Fui procurar emoções, por isso parti
Em busca de sensações que nunca senti
Ao descobrir que isso era tudo era só fantasia, voltei
Pois na verdade o que eu quero e preciso é somente você
m - Adeus.
h - Ajude-me.
m - Não quero mais falar.
h - Pense em mim.
m - Adeus.
h - Por que?
m - Por que hoje sou eu quem nao quer mais você.
m - Por isso, fora, esqueca meu rosto, meu nome, esta casa, e siga seu rumo
h - Não consigo compreender
m - Fora, esqueça meus sonhos, meu corpo, meu beijo e todo meu mundo.
h - Está mentindo, posso ver
m - Fora, esqueça que eu vivo, tá tudo acabado e não se surpreenda
m - Esqueça de mim que afinal pra esquecer você tem experiência.
m - Por isso, fora, esqueca meu rosto, meu nome, esta casa, e siga seu rumo
h - Não consigo compreender
m - Fora, esqueça meus sonhos, meu corpo, meu beijo e todo meu mundo
m - Por isso, fora, esqueca meu rosto, meu nome, esta casa, e siga seu rumo
h - Está mentindo, posso ver
m - Fora, esqueça meus sonhos, meu corpo, meu beijo e todo meu mundo

Enviado por wagner:
http://vagalume.uol.com.br/pimpinela/siga-seu-rumo.html

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Imagem exclusiva: Tio Jorge e Giulia em Roma


A renomada artista plastica Giulia G. acabou de apresentar um autoretrato conjunto: Tio Jorge e Giulia em Roma. Na imagem, percebe-se, inclusive, que o tio Jorge finalmente emagreceu.

O pato colorido (Giulia, 2008)


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Acontecimento do Ano

Dinheiro, dinheiro, dinheiro

Último dia de trabalho antes das férias. Fui comprar os tais dos euros e não tinha mais nenhum centavo de euro (nem em espécie nem em travelers cheques). E estava em 2,84! Aquele bendito banco estadounidense tinha que quebrar justo a semana da nossa viagem!?

Passei o dia todo lendo tudo sobre o câmbio e estão dizendo que é pura especulação. Durante a tarde o governo informou que vai leiloar dinheiro, então o dólar começou a reverter a trajetória de alta. Estou torcendo para amanhã, pela hora do almoço, as coisas ficarem mais razoáveis.

Quanto a nós, simples mortais atrás de meia dúzia de notas de euro, temos algumas opções: a) comprar no preço que tiver, b) comprar menos, c) só levar os euros emprestados por um amigo e jogar o resto no cartão (e seja o que os céus quiserem na hora de pagar a fatura), d) comprar lá (nossa amigo mezzo brasileira mezzo italiana falou que eles já estão trocando real por euro em Roma).

Consegui uma tabela com a cotação do euro dos últimos 3 meses. E sabe o que eu descobri: que a moeda começa o mês num valor e termina em outro, mais baixo. O que é bom e mal: bom porque pode significar que a moeda vai abaixar. Mal porque o meu cartão vence no começo do mês...

Enfim: espero que eu tenha feito tudo o que eu precisava fazer aqui pela USP, pois só volto em 13/10/2008. E sabe de uma coisa? Estou exausto (vou dormir as 10 horas da viagem, podem acreditar).

Downtown

Mas o acontecimento do ano é porque eu consegui, após muito tempo, ouvir a música Downtown, da
Petula Clark. E consegui um vídeo no Youtube (aliás, vários). Um, com a tradução em português:




Também encontrei a versão clássica, de novembro de 1964, na qual aparece a moça que deve ser a Petula Clark: estou perdidamente apaixonado por ela, pela música, pelas imagens.

Quer saber? Que o euro vá para a casa do chapéu: o negócio é ser feliz com os próprios tesouros.

Versão clássica:



A Letra:

When you're alone and life is making you lonely,
You can always go downtown.
When you've got worries all the noise and the hurry,
Seems to help, I know, downtown.

Just listen to the music of the traffic in the city.
Linger on the sidewalk where the neon signs are pretty.
How can you lose?

The lights are much brighter there.
You can forget all your troubles,
Forget all your cares so go,
Downtown, things'll be great when you're,
Downtown, no finer place for sure,
Downtown, everything's waiting for you.
(Downtown, downtown.)

Don't hang around and let your problems surround you,
There are movie shows downtown.
Maybe you know some little places to go to,
Where they never close, downtown.

Just listen to the rhythm of a gentle Bossa Nova,
You'll be dancing with 'em too before the night is over.
Happy again.

The lights are much brighter there.
You can forget all your troubles,
Forget all your cares so go,
Downtown where all the lights are bright,
Downtown, waiting for you tonight,
Downtown, you're gonna be alright now.
(Downtown, downtown, downtown.)

Downtown. (Downtown.)

And you may find somebody kind to help and understand you,
Someone who is just like you and needs a gentle hand to,
Guide them along.

So, maybe I'll see you there.
We can forget all our troubles,
Forget all our cares so go,
Downtown, things'll be great when you're,
Downtown, don't wait a minute more,
Downtown, everything's waiting for you.

(Downtown), (downtown), downtown, (downtown).
Downtown, (downtown), downtown, (downtown).
Downtown, (downtown)...

[DOWNTOWN
Written by: Tony Hatch
Performed by: Petula Clark [ 2 ] -1964
Appears on: 45 RPM-1964, Downtown-1964, Live at the Royal Albert Hall-1972, Best of the '60s Sunshine Rock (Various Artists)-1988, Greatest Hits-1990, Spirit of Today-2002, Platinum & Gold Collection-2004, Malt Shop Memories: Save the Last Dance for Me (Various Artists)-2006, et al. ]

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Quarteto


Sábado, 13 de setembro de 2008, a partir das 18 horas, aconteceu o aniversário da Regiana. "Acontecer" é uma palavra apropriada, pois foi mesmo um acontecimento. Havia umas quatro ou cinco tribos diferentes: pessoas que se conheciam e que não se conheciam, formando os mais inusitados núcleos. Foi muito bom ver o pessoal se misturando, as conversas rolando soltas. Tínhamos uma alemão recém-chegado ao Brasil, um outro estreando um bigode. Um poeta que também é fotógrafo mas estavam sem a máquina. Duas judias, uma infinidade de gays. Um cearense, dois gaúchos. Um dentista (e eu com uma baita dor-de-dente). Nenhum casado, mais uns dois ou três comprometidos. Um que morou em Berlin e, felizmente, falava alemão. Uma que já dou o mundo lavando pratos. Uma que toca violão, faz poesia e cospe fogo. Alguém que trouxe 12 latinhas de cerveja e não tomou nenhuma (que ficaram na geladeira e eu simplesmente não seio que fazer, pois quase ninguém na turma bebe cerveja e eu só utilizo a loirinha para fazer frango assado -- mas com esta quantidade de latas de cerveja, vou ter que abrir uma rotisseria para dar conta de assar tantos frangos. Se bem que, dizem, tem gente que gosta muito de "frango assado").
A noite está friazinha, ideal para se ficar em casa com amigos. A Regiana, improvisou e deu uma de "noiva": chegou uma hora mais tarde que o combinado. O problema é que já estávamos pensando em pedir umas pizzas, pois além de ser a principal personagem da noite, a mocinha ainda era a portadora dos salgadinhos, que não sabiam chegar em casa sozinhos. Mas valeu a espera: a moça estava linda em um vestido preto meio vaporoso, usando uma meia fina com liga na altura da coxa: um desbunde. Distribuiu sorrisos como quem distribui flores na avenida, encantando a todos.
O bolo foi feito a 6 mãos e não deu o vexame esperado: eu, Jorge Dentista e Vitória -- o que poderia significar uma verdadeira tragédia. Mas os anjos estavam de plantão e bolo até que ficou bonitinho e gostosinho.
Se bem me lembro, estavam lá: Ivan, Jorge, Vicente, Marcos, César, Cláudio, Hans, Martin, Jader, Léa, Sandra (e amiga), Beto, Paula, Cibele, Ana, Rachel, Rejane, Davilson, José Carvalho, Lobinho, Paula, Cristina, Robson, Juan, Vitória, Regiana e eu. Será que me esqueci de alguém? Todos apertados em um apartamentinho de 47 metros quadrados...
Tentamos ligar para o Felipe, em Maringá, pois também era aniversário dele, mas não conseguimos contato.
Ainda tinha a história das malas de viagem, motivo inincial da reunião. E que renderam discussões acaloradas. Em suma: Regiana abriu a mala e pudemos ver o que uma marinheira-de-primeira viagem pensa a respeito de bagagem. Quer saber de uma coisa? Até que ela foi econômica. Eu imaginava-a incluindo o travesseiro de estimação, uma caneca de café e todos os pares de meias de lã. E todas as fotos da Eid (a cachorra). Mas tenho sérias dúvidas se uma tal boneca de pano vai viajar... O mais inusitado foi convencer a Regiana a respeito do peso das malas, que não varia em função das mãos que a segurem: completamente impublicável. Quem não assistiu não vai acreditar. E quem assistiu também não acreditou.
E no final, como tudo naquele apartamento, terminamos comendo mesmo uma pizza.
Na foto, o Quarteto das Risadas: Regiana, Cibele, Rachel (minha mulher) e eu.

Léo One

Desenho de Giulia



O Léo

à Giulia

Léo One é um bom leão. Ele sorri o tempo todo, de manhã até a noite: nunca fica bravo. Ele escova os dentes sozinho, gosta das crianças, só come vegetais, lê historinhas para os irmãozinhos mais novos e adora sorvete de chocolate. Léo One é um bom leão, mas tem um probleminha: a juba dele ainda é muito pequena, pois ele é um jovem leão. Ele sonha com o dia no qual terá uma vasta cabeleira. E sabe por que? Porque o sonho de Léo One é ter uma banda de reggae e ser o único leão rastafári da floresta.


Jorge de Lima
São Paulo, 15/09/2008

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Paisagem da janela

Acabei de ouvir a música “Paisagem da janela” -- parece-me que letra e música são do Milton Nascimento. Mas eu acho que a versão que tocou era do Borges (ou do Flávio Venturini). Não importa. O fato é que, involuntariamente, um sentimento nostálgico me transportou para um dos momentos mais mágicos da minha vida: minha primeira paixão (enquanto adulto). Foi rápida, intensa e didática. Foi por um cara mais do que especial, verdadeiramente enviado por Deus. Eu estava mergulhado no ponto mais profundo do oceano das dúvidas existenciais. Então, o inundei de perguntas, de questões, de dúvidas, de curiosidades. Recebi, de volta, carinho e atenção desmedidos. E uma enooooorme paciência. E o que Borges, Milton Nascimento, Beto Guedes, Flávio Venturini têm a ver com isso? Bom, a despeito de serem do Clube da Esquina ou do 14 Bis, eles todos estavam reunidos, na forma de antigas fitas cassetes, numa caixa de SEDEX que chegou-me num mês de fevereiro, lá no longínquo 1997. Tantas foram as vezes que ouvi aquelas fitas cassetes que as músicas se tornaram verdadeiras tatuagens. Naquele tempo a paixão era mais simples: bastava a existência do outro. Hoje, são tantos detalhes, tantas condições. Depois de um certo tempo, depois de um certa idade, apaixonar-se se transformou em algo para os outros: os jovens. Mas ainda resta o amor, condição de maduros.

Semana de Artes - Fotos - Mar

Foto de Bruno Vasconcelos



Guache

a Bruno Vasconcelos



Céu
sol sol sol
mar mar mar mar
diluídos
-- a natureza tinge o dia em cores claras.
É mais do que poesia:
é verão no Brasil.


Jorge de Lima
São Paulo, 11 de setembro de 2008

Semana de Artes - Fotos - Aço

Foto de Bruno Vasconcelos



Aço


a Bruno Vasconcelos


A enorme lança metálica apontada para a Lua
ameaça o Dragão infeliz,
enquanto Jorge e seu Cavalo selenita
passeiam pela Avenida Paulista
-- distraídos e contentes.

E a Princesa?
A Princesa está assistindo TV na casa da vizinha.


Jorge de Lima
São Paulo, 11 de setembro de 2008

Semana de Artes - Fotos - Verde

Foto de Bruno Vasconcelos


Verde

a Bruno Vasconcelos

A palavra pingou no papel,
desvirginando-se em multi-sons:
pássaros, grilos, pequenos roedores
— a extrema doçura das abelhas fazendo mel.

Gota a gota a natureza derrama-se
em frente à lente digital
— e o fotógrafo, no eletrônico click,
torna-se poeta sem igual.

Jorge de Lima
São Paulo, 11 de setembro de 2008

Semana de Artes - Fotos - Por um fio

Foto de Bruno Vasconcelos



Por um fio

a Bruno Vasconcelos

O silêncio instala-se aos poucos, pelas bordas.
Envolve, faz adormecer.
O silêncio é um som triste, miúdo
-- uma palavra que não quer ser dita,
apenas sentida.
O silêncio não destrói, não apaga, não traduz.

O silêncio, às vezes, é apenas uma longa e solitária
espera.

Jorge de Lima
São Paulo, 11 de setembro de 2008

Semana de Artes da USP

Estamos nos preparando para a Semana de Artes da USP. Neste ano, estarei viajando durante o evento. Mas participarei em duas frentes. Com o Grupo Éramos 12, numa apresentação performática que inclui música, imagens e textos, e com o aluno de pós-graduação e excelente fotógrafo Bruno Garcia. Para o Éramos 12 fui convidado a escrever um texto que falasse da chegada do europeu ao Brasil, da sua tentativa de escravizar o índio e da substituição do elemento indígena pelo negro africano no processo de mão-de-obra escrava. Escrevi o que segue:

Aula de História

a Éramos 12

Quando o europeu chegou, o índio o recebeu de braços abertos: foi amigo, foi gentil, foi bom anfitrião.

A terra era grande e muita, cabia a todos -- e todos eram irmãos.

Mas o branco europeu não queria amigos, não amava a terra, não queria comunhão.

Só pensava em dinheiro, só pensava em lucro, só queria servidão.

O índio percebeu, resistiu, muito lutou, muito morreu, mas não aceitou submissão.

O europeu não foi fácil, não desistiu, não: insistiu e perseguiu -- e criou muita confusão.

Porém, viu que o índio era livre e buscou outra solução.

Atravessou os mares e, sem respeito e sem compaixão, prendeu o negro africano e reinventou a escravidão.

Triste, de longe, com dor no coração, o índio aprendeu desiludido uma preciosa lição:

selvagem não era o índio -- selvagem era a civilização.


Jorge de Lima

Estudar inglês na internet

Gostei deste site para se estudar inglês na internet:

http://www.sk.com.br/sk-irrve.html

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

13ª SEMANA DE ARTE E CULTURA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

13ª SEMANA DE ARTE E CULTURA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

DE 22 A 26 DE SETEMBRO DE 2008

Local: Av. Prof. Lineu Prestes, 580 – Cidade Universitária – Butantã – Bloco 13 A – andar superior

Grátis

XX Salão de Artes

EXPOSITORES
Bruno Garcia Vasconcelos, Djanira Pereira Canzian, Edna Batista Lima, Irene A. Machoshvili,
Isabel Cristina Bossi Alves, Ivan Alejandro Ávila León, Jorge Alves de Lima, Joás Lucas da Silva,
Márcia Nascimento de Moraes, Maria Inês Rocha Miritello Santoro, Miriam Lopes, Rafael
Vergaças Mangisesti e Sady Carlos de Souza Junior.

Intervalos Musicais

DIA 22 • Segunda-felra
12:30 h – Show Chegança! – Amanda Ribeiro e Vinicius Medrado
(Harpa, gaita, violão, violino e percussão)

DIA 23 • Terça-feira
12:30 h – Banda SalaMantra (samba, bossa nova, baião, xote, MPB)
13:20 h – Recital de Piano - Marina Maluli

DIA 24 • Quarta·feira
12:30 h – Grupo “Éramos Doze” – Da Terra de Ninguém à Conquista da Terra Prometida,
pelo grande, pelo mais que super, pelo HIPER-HERÓI-BRASILEIRO (MPB e Afins)

DIA 25 • Quinta·feira
12:30 h - Coral Yapapá (Diversos) - Regente: Carolina Borba
12:50 h – Recital de Harpa - Vinicius Medrado (MPB, World Music e Música Instrumental)
13:20 h – Gledson Manso Guimarães e Miriam Lopes (Violão e Voz)

DIA 26 • Sexta-feira
12:30 h – Carla Ap. G. dos Santos e Gustavao Ceregatti
(Diversos: MPB, Pop, Rock, Axé...)
13:15 h - Coral Encant'HUs - (Música Brasileira)
Regente: Elisséia Claudia V. Duarte

Organização: Comissão de Cultura e Extensão da FCF/USP
Informações: 11-3091-3677 / dpv@usp.br

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Ainda as gavetas


Substância

a R.

Teu corpo nu não rima
com a luz da lua no inverno
mas desejo-te retido entre minhas mãos
nas noites mais frias.

Fazes parte do meu céu feito estrela e feito Deus.

Tua forma sublime não se sustenta
no mármore branco e grego.
Mas, em segredo,
és minha estátua preferida.

Fazes parte da história como o livro e o relógio.

Tua voz rouca não foge ao som do trovão mais forte.
E eu ouço-te atento
enquanto persigo teu rastro
-- enquanto procuro o meu silêncio.

Fazes parte do meu verbo feito sílaba e flexão.

Teu olhar marujo não se afoga no colo de ninfas mulheres.
Enquanto eu,
com braçadas precavidas,
navego-te em cabotagem.

Fazes parte do meu mar como a onda azul e o horizonte.

Teu sono viril não aceita afago frágil e maternal
mas meu toque retém-se distraído nas franjas dos teus sonhos.

Fazes parte do mistério da vida feito cruz e feito espírito.

Teus braços alados te lançam em vôos errantes
e eu te perco todas as manhãs no vácuo do Universo.

Fazes parte da minha fome feito água e feito pão.

Fazes parte de tudo
e em tudo há um pouco de ti:
no pó do deserto,
nas gotas da chuva,
nos meus receios,
no instante,
nas vírgulas dos textos,
na sombra das árvores,
nas cordas do violão,
na tarde de sol,
nos cartões postais do mundo inteiro,
nos beijos,
na despedida,
nas lembranças de Piabetá,
no intervalo,
no perdão.

No esquecimento ou no sorriso.

Teu corpo,
tua forma,
teu olhar,
teu sono,
teus braços:

fazes parte do tudo que se sustenta
dentro de cada pensamento meu,
dentro de cada vontade minha

-- perdida e reencontrada
todos os dias.


Jorge de Lima
São Paulo (reescrita), 09/06/2005.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Ato institucional

Ato institucional

É proibido ser feliz sem sexo.

Os infratores serão multados. Os reincidentes serão presos. Os resistentes serão sumariamente ridicularizados. E os apaixonados serão esquecidos.

Jorge de Lima
S. Paulo, 14/09/2006

Mais gavetas, mais poemas

Ainda provisório

a R. Dias

Teu nome tirou da minha boca o gosto dos outros: o cheiro, a pele, os pêlos, as mãos. O talo. Todos invisíveis sob tua sombra. Fechei meus lábios para te ver melhor, na distância sem canção daqueles dias. Teu corpo roubou dos meus olhos a cor das muitas nuas noites, restando-me as horas quase úmidas que passamos juntos: a cama tola, a velha vizinha intrusa, o pai no quarto ao lado sem a mãe por perto, as frases esparramadas pelo chão. Teus lábios te esconderam de mim e enraizado nos meus medos e desejos, cruzei meus braços sobre o peito e repeti-me, silencioso e obediente: “te amo pelo que você não é”.

E, de tudo, restou a palavra “não”: inútil e não pronunciada. E eu, para me perdoar provisoriamente, te esqueci neste poema. Ainda.


Jorge de Lima
São Paulo, 15/11/2006

Limpando gavetas de novo - Primavera

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Sigo limpando gavetas. Desta vez, estou à procura de poemas para as belas fotos de um amigo (Bruno) que serão expostas aqui na Semana de Artes. Então, achei este poema que fiz para minha amiga Regiana (e nem faz tanto tempo assim, foi no ano passado):

Pré-estréia

à Regiana Santos

Instintivamente,
as raízes percorrem seus escuros caminhos.
Os pássaros ensaiam seus cantos.
Os bichos buscam seus pares.

Silenciosamente,
O sol desenha o equinócio
e o céu se debruça sobre a terra
em expectativas de folião
às vésperas do Carnaval.

O frio dá lugar à cor.
Os ventos engravidam-se de perfume.
A brisa torna-se um banho fresco.

O Inverno parte, discreto.
E a nova estação chega,
feito uma Escola de Samba.

Mas,
houve uma vez diferente de todas
quando, repentinamente,
o cinza foi vencido pelo sorriso.

Era 1971.
Era 13 de setembro.
E a Primavera chegou mais cedo,
trazendo, confiante,
sua primeira flor.

Jorge de Lima
São Paulo, 13/09/2007.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

"Anel-Íris" (halo solar)

Final de Semana (último de agosto).


Estava conhecendo o Wal-Mart que fica em frente à CEAGESP (que normalmente o povo chama de CEASA), quando meu amigo Juan me ligou para falar de um arco-íris que se formou no céu. Esqueci-me que estava dentro do gigantesco supermercado e olhei para o céu: vi prosaicas lâmpadas brancas. Mas, depois, do lado de fora, puder ver (na verdade rever) o tal do arco-íris. E imediatamente fui transportado para os meus 8 anos de idade, quando vi, pela primeira e até então única vez, um anel em volta do sol. Naquele dia da minha infância, lembrei-me de chamar minha mãe para lhe mostrar uma prova da existência de alienígenas ou do final do mundo. Ela, mais madura e vinda do interior, achou que eu era mesmo um boboca. Aquilo, disse-me ela, era apenas um arco-íris. Nunca mais vi (talvez eu precise mesmo olhar para o céu mais vezes). hoje, mamãe mora no céu e não deve mesmo se espantar com mais nada. Fiquei muito grato ao Juan, por ter me proporcionado tamanha viagem. Acabei de ler na Folha OnLine uma reportagem dando conta que o fenômeno realmente não é raro -- ocorre umas 2-3 vezes por ano. Logo, vou ter que arranjar outra coisa para ficar fascinado... O leitor Guilherme Reis fotografou o fenômeno e a foto segue abaixo (já a notícia pode ser lida na em http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u439344.shtml). Mais abaixo, uma outra foto, esta sim digna da capa da Revista Sciense: a menina mais bonita do mundo, Giulia, numa praia do Mediterrâneo.


Duas criações lindas da natureza: halo solar (acima) e Giulia (abaixo)


quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Universidade de São Paulo
Escola de Comunicações e Artes



Novos Tempos: Novas Leituras
A história do surgimento de um grupo “diferente”


Trabalho de conclusão da disciplina CCA0278 - Psicologia da Comunicação, ministrada pelo Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares, baseado no texto Fundamentos Teóricos, de David & Zimerman (in Como trabalhamos em grupos).




Jorge de Lima
São Paulo – 2006

Introdução

De maneira bastante sucinta, pretende-se, a partir da leitura do texto Fundamentos Teóricos, de David & Zimerman (in Como trabalhamos em grupos, Atimed, 1997) e das discussões havidas em aula, durante a disciplina CCA0278 - Psicologia da Comunicação, discorrer sobre o tema “grupos”, tendo como pano de fundo e exemplo a Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE).

Trata-se, esta comunidade, de uma igreja neopentecostal sediada na região central da cidade de São Paulo. Já de princípio, há que se concordar que o fato de ser uma igreja não justifica por si sua escolha como tema, haja vista a grande quantidade de igrejas que são criadas numa cidade do porte de São Paulo. Tampouco o fato de ser neopentecostal, uma vez que essa vertente do cristianismo protestante já deixou de ser fato novo há muito tempo. O que bem pode caracterizar essa comunidade, para que possa ser utilizada na compreensão das dinâmicas de grupo e na compreensão do papel revolucionário das “releituras” de textos e símbolos já consagrados pelos consciente e inconsciente coletivos, é o fato de ser uma comunidade cristã formada por homossexuais.

Como bem conceituou Zimerman & Osório:

O ser humano é gregário por natureza e somente existe, ou subsiste, em função de seus inter-relacionamentos grupais. Sempre, desde o nascimento, o indivíduo participa de diferentes grupos, numa constante dialética entre a busca de sua identidade individual e a necessidade de uma identidade grupal e social (ZIMERMAN & OSÓRIO, 1997).

Desta forma, também um segmento social do porte dos homossexuais apresenta condições demográficas para estabelecer entre si os laços típicos de agrupamento, de grupos, de redes e de comunidades. Com relação à situação sexual em si, para não se aprofundar muito na discussão, pode-se se apropriar brevemente das idéias expostas por Fry e MacRae, que pressupuseram “que não há nenhuma verdade absoluta sobre o que é a homossexualidade e que as idéias e práticas a ela associadas são produzidas historicamente no interior de sociedades concretas e que são intimamente relacionadas com o todo destas sociedades” (FRY & MACRAE, 1985).

Contextualização

Durante séculos, talvez mesmo desde sempre, a sociedade aprendeu a dividir-se em distintas partes, para atribuir-se valores e tarefas. E, muito comumente, essas divisões se atrelaram em perspectivas duais: ricos e pobres, dominantes e dominados, brancos e negros, mulheres e homens, opressores e oprimidos, com direitos e sem direitos – e assim por diante. E mesmo aquelas formas de divisão que pretenderam-se mais democráticas também, em algum grau, possibilitaram incompatibilidades ou insatisfações. Contudo, um traço característico da Modernidade (ou mesmo da Pós-Modernidade) é a ruptura com o canônico e a possibilidade infinita de tudo poder ser revisto, relido, reinterpretado e rediscutido. Vive-se a “Era do Revisionismo”.

Indiferentes aos conceitos, mas participantes desse clima social, pessoas no mundo inteiro estiveram, estão e estarão reescrevendo a História – às vezes em mínimos movimentos, muitas vezes de dentro para fora. Foi assim com a questão Racial, foi assim com a questão Feminina e tem sido assim com a questão da Diversidade Sexual.

Nesse sentido, os grupos segregados, cada um a seu modo e momento, buscam ocupar um lugar nos lugares que lhes são historicamente interditados dentro da Sociedade: social, político, religioso, econômico, cultural, entre outros.

Atualmente, a Diversidade Sexual, representada mais emblematicamente pelos gays, buscou e praticamente já garantiu, nas sociedades ocidentais, a sua participação no lugar social, no político e no econômico.

Com relação à sua participação cultural, representada pela atuação na mídia, esta sempre aconteceu. Mas ainda sofre interferências: os gays estão na mídia, mas em condições ainda não tão adequadas – a) situações restritas na televisão por assinatura, b) personagens altamente estereotipadas nos veículos de comunicação de massa ou c) publicação de produtos editoriais de circulação marcadamente segmentada. Porém, indiscutivelmente, também participam do momento cultural.

Assim, concretamente, a religião representa, ainda hoje, um lugar na sociedade onde a Diversidade Sexual ainda está invisível ou flagrantemente hostilizada. É, pois, uma fronteira real que vem sendo sistematicamente ocupada.

Acontece que a religião é, por tradição, estruturada em tabus e dogmas. E subsiste em função deles. Removam-se abruptamente esses elementos (tabus e dogmas) do conjunto religioso e se obterá algo completamente diferente na forma e no conteúdo. Logo, as releituras possíveis, e mesmo os revisionismos, têm um raio de ação menor para se desenvolver quando o assunto é crença religiosa, divindade, espiritualidade etc.

Mas Musskopf, em seu trabalho intitulado “Uma brecha no armário – propostas para uma Teologia Gay”, vai exatamente nesta direção: a de propor que certos tabus religiosos sejam revisitados e revistos. E cita, de passagem, o trabalho de outra colega, Anete Roese, também da Escola Superior de Teologia de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, intitulado “Deus escolheu as cousas loucas... para envergonhar as fortes”, que também fez o mesmo: tentou tratar do tema à luz de conceitos mais libertários, propondo que a homossexualidade seja um assunto que possa ser compreendido pela Teologia.

No caso de Musskopf, seu texto concatena o Movimento Gay com a Teologia da Libertação e com a Teologia Feminista da Libertação. Para concluir que, desde então, esses movimentos permitiram aberturas no tecido social que serviram para questionar as verdades cristalizadas da tradição que excluíam, e excluem, pessoas.

Musskopf acrescenta que:

Mesmo assim, o despontar deste novo sujeito teológico não teve reflexos dentro da igreja e da teologia da mesma forma como o tiveram a Teologia da Libertação, com sua opção preferencial pelos pobres, e a Teologia Feminista, com a valorização do potencial das mulheres. Especialmente porque a questão da homossexualidade esteve ligada a uma moral sexual rígida (encarada do ponto de vista sexual-genital) e à interpretação de determinados textos bíblicos, a-historicamente vinculados ao tema (MUSSKOPF, 2002).

Em seu trabalho, Musskopf debruça-se sobre a igreja católica romana, símbolo máximo da resistência político-religiosa ocidental ao tema. Lembrando que “ao invés de centrar o debate na existência de uma identidade gay e lésbica, no geral, a discussão tem se concentrado na tradição das igrejas e na utilização de ‘textos-prova’, deslocados de seu contexto histórico, político e cultural”.

O resultado disso, dessa “discussão” unilateral, não significou uma preocupação essencialmente teológica, com algumas exceções, mas sim maior afastamento das pessoas homossexuais do mundo da religião. Ou seja: o gay não deixou de ser “gay” em função das posturas religiosas. Ele deixou de ser “religioso”. O que empobreceu, ainda mais, a cultura religiosa que vem, já há algum tempo, sofrendo baixas entre seus seguidores, em direção, principalmente, a atitudes e discursos com apelos mais práticos e imediatos (auto-ajuda, espiritualidades de “resultado”, etc).

Ocorre que essa legião de afastados, aos poucos, pelas próprias dinâmicas sociais, foi se “encontrando”, foi estabelecendo vínculos e foi se dando conta de que não era constituída de pessoas “únicas”, mas sim de várias e várias pessoas que, uma vez vinculadas, poderiam formar um coletivo. Poderiam formar um grupo e, desta forma, mais do que resistir: poderiam se representar enquanto grupo social religioso.

Nas palavras de Musskopf, isso significaria dizer que:

Numa sociedade regida pelos parâmetros da heterossexualidade, a homossexualidade aparece como anormal, ameaçando a ordem estabelecida. No entanto, a contemporaneidade, suplantando a Modernidade, exacerba a experiência de desestabilização, modificando conceitos como “normal” e “anormal”, assumindo o caos como espaço possível para a criação, onde se delineiam novas subjetividades (MUSSKOPF, 2002).

Cabe observar que a quantidade de pessoas nas condições de excluídos das igrejas por conta da Diversidade Sexual é um número muito grande e constitui-se de um contingente disperso, principalmente numa cidade com mais de 10 milhões de habitantes. Assim, o simples fato dessas pessoas existirem e morarem numa mesma cidade não lhes garante automaticamente uma identidade de grupo.

Aliás, a própria definição do termo grupo, nas palavras de Zimerman & Osório, é muito vaga e imprecisa, já que pode “designar conceituações muito dispersas num amplo leque de acepções”. Por isso, parece apropriado exemplificar como essas pessoas puderam vencer os séculos de exclusão e formarem um grupo dentro de um segmento tão estático quanto o é o religioso.

A história de um grupo

Em São Paulo, um marco recente para o tema gay é o Festival Internacional Mix Brasil. Outro marco, este ainda mais visível, é a Parada do Orgulho GLBT. Duas atividades com forte apelo midiático. A primeira, o Mix Brasil, incorpora-se da estética cinematográfica para veicular a cultura gay para gays e para não-gays. E tem tido reiteradas edições e cristalizada aceitação dentro da sociedade paulistana – e também brasileira, uma vez que é apresentado em outros estados do país.

Já a Parada do Orgulho GLBT assumiu proporções tão monumentais que, de acontecimento “invisível” e não autorizado em 1997, tornou-se evento do calendário oficial da cidade e do estado, contando com forte cobertura por todos os veículos: rádios, televisões, jornais e revistas. E projetando-se além das fronteiras do município, do estado e do país.

Contudo, menos midiático, ainda que capaz de capturar as lentes dos jornais e telejornais pelo apelo do “inusitado”, um outro marco vem se constituindo, agora no campo religioso.

Primeiro surgiu um grupo um pouco disforme, um verdadeiro “ajuntamento”, denominado Grupo Gay Cristão, reunindo-se no centro da cidade de São Paulo. Em verdade, apesar do nome, não era um grupo, pois, pelo entendimento de Zimerman & Osório, “um grupo não é um mero somatório de indivíduos; pelo contrário, ele se constitui como nova entidade, com leis e mecanismos próprios e específicos”. Assim, apesar da menção “cristãos” no nome, ocorre que o mesmo era constituído por gays de diversas denominações cristãs e de diversas religiões e crenças não-cristãs, que permitia que todos tivessem o direito de acreditar em tudo e professar todas as formas de espiritualidade o tempo todo. O que certamente decretaria, como de fato decretou, sua dissolução.

Nova iniciativa veio à tona em 2002, quando seis rapazes, reunidos num restaurante na zona oeste da capital, começaram a fazer encontros religiosos. Aos poucos, novas pessoas foram se agregando e aquele encontro passou a crescer organicamente, desta vez em torno de princípios religiosos menos fluidos.

Tudo acontecia lentamente, até que dois episódios midiáticos contribuíram, de maneira diversa, mas decisiva, para que as muitas pessoas espalhadas pela cidade se conectassem a esse agrupamento inicial.

Primeiro, uma entrevista que seu líder concedeu à Revista Época (periódico semanal de abrangência nacional editado pelas Organizações Globo). Como desdobramento desta entrevista, aconteceu uma série de outras entrevistas em programas televisivos do tipo talk-show, mas de pequena audiência.

Depois, ocorreu que uma filmagem não-autorizada de uma das reuniões do grupo foi exibida no “Programa do Ratinho” – um programa vespertino de caráter popular e sensacionalista comandado pelo animador Carlos Massa e levado ao ar, diariamente, pela segunda mais importante cadeia de televisão aberta do país. Apesar do grande susto causado aos discretos freqüentadores, esse segundo evento “lançou” nacionalmente a igreja.

Essa primeira iniciativa chamou-se Igreja Cristã Acalanto. Desta, surgiram outras duas: a Comunidade Cristã Nova Esperança e a Igreja Evangelho Para Todos. A própria divisão da Acalanto em outras duas já representa, por si, um exemplo de como a dinâmica de grupos atua, pois, ainda que essas pessoas tivessem entre si mais vínculos que na experiência dos Gays Cristãos, ainda lhes faltava muitos dos pontos elencados por Zimerman & Osório como condições básicas mínimas que caracterizam os grupos.

A Comunidade Cristã Nova Esperança

Dissidência clara e assumida da Igreja Acalanto, a Comunidade Cristã Nova Esperança formou-se também de maneira orgânica, mas forjando para si, logo na sua gênese, um conjunto de valores que deveriam ser perseguidos por todos os membros, o tempo todo, e que criavam para a igreja, e seus adeptos, uma identidade própria. Chamou-os de Declaração de Princípios. Em verdade, trata-se de um decálogo no qual estão definidas as linhas de conduta da igreja e que são, em sua maioria, releituras de trechos da milenar Bíblia Sagrada – o mesmo livro de onde os críticos religiosos mais fervorosos tiram seus argumentos contrários à condição gay.

Dois anos após a sua fundação (agosto de 2004), a Nova Esperança já encontra eco em instituições similares no interior do Estado de São Paulo (Leme, Guarulhos e Osasco), no Brasil (Rio de Janeiro e Porto Alegre) e no Exterior (México, Guatemala e Estados Unidos), tornando-se uma intersecção entre grupos semelhantes estabelecidos nesses lugares. Nesse sentido, inclusive, é mesmo oportuno se falar na constituição de uma rede, pois os muitos grupos não estabeleceram uma hierarquia entre si, já que seu líder máximo (Deus, Jesus Cristo) ocupa um lugar intangível, com a intagibilidade que é característica do centro de uma rede (Deus para todos, mas não pertencente a ninguém).

Grupos dentro do grupo

Último tópico a ser tratado, a constituição interna desta comunidade, é também sui generis, pois reúne a diversidade da Diversidade Sexual e a diversidade das identidades religiosas.

Importa saber que afluem semanalmente para as suas várias reuniões, homens e mulheres de todas as idades, vindos de todas as partes da cidade, da Grande São Paulo e do Estado. A maneira exata de como se propaga a notícia de existência da igreja e também o que dela se fala que possa atrair uma miríade de pessoas tão diversas é ainda algo que os próprios coordenadores da comunidade desconhecem.

Sabe-se que muitos vão, mas não ficam, pois, de alguma maneira, não encontram exatamente o que procuram. Sabe-se que muitos vão por motivos religiosos e outros por motivos não religiosos.

Mas, ainda assim, ainda que se depurando os visitantes curiosos e ocasionais, o conjunto de freqüentadores permanentes é, também, um retrato das multiplicidades da metrópole (étnica, cultural, econômica, política, religiosa, etária).

Do ponto de vista prático, esse número já atingiu mais de mil pessoas há algum tempo. E os registros indicam que estas pessoas professam todas as religiões que se tem notícias, incluindo as muitas denominações cristãs e, é claro, um número considerável de pessoas que se declaram sem-religião, ateus, agnósticos etc. O que possibilita múltiplos recortes, relativos, por exemplo, à faixa etária, à postura sexual, ao poder econômico, à região onde mora, aos interesses culturais, etc.

Ou seja, grupos (ou subgrupos) dentro do grupo. Muitos dos quais, com dinâmicas próprias e valores bem demarcados, criando, inclusive, lideranças internas.

Como sintetizar um discurso, ainda que religioso, que mantenha essas pessoas e esse subgrupos vinculados e, desta forma, participantes de um só grupo, tem sido tarefa árdua, mas feliz, de seus coordenadores. E, à medida que são bem sucedidos, devolvem à sociedade pessoas que, outrora desvinculadas entre si, não participavam desta sociedade com a totalidade das suas aptidões – posto que se sentiam desconectadas socialmente, uma vez que estavam alijadas de um dos componentes sociais mais importantes da condição humana que é o exercício franco da sua religiosidade.

Nesse sentido, o termo comunidade utilizado pela denominação religiosa para se identificar vem ao encontro de uma tese defendida dentro do texto de Zimerman & Osório, para os quais “um conjunto de pessoas constitui um grupo, um conjunto de grupos constitui uma comunidade e um conjunto interativo das comunidades configura uma sociedade”.

Para o futuro, cabe acompanhar se, de alguma maneira, sua evolução no meio do tecido social da metrópole terá propiciado interações com os demais grupos que fazem parte desse rico encontro de pessoas que é a cidade de São Paulo. E verificar como a cidade reagiu ao surgimento de mais um grupo “diferente”.


Aluno: Jorge de Lima
Curso: Filosofia (FFLCH)
Data: 01/12/2006

Bibliografia


-Musskopf, André Sidnei. Uma brecha no armário: proposta para uma teologia gay. São Leopoldo: Sinodal, 2002.
-Fry, Peter; MacRae, Edward. O que é homossexualidade. São Paulo: Abril Cultural, Brasiliense, 1985.
-Osório, Luiz Carlos; Zimerman, David E. Como trabalhamos com grupos. Porto Alegre: Artimed
.

Bibliografia de Apoio


-Cardoso, Fernando Luiz. O que é orientação sexual. São Paulo: Brasiliense, 1996.
-Sullivan, Andrew. Praticamente Normal - uma discussão sobre o homossexualismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

Aula de Italiano

Estou, literalmente, me apaixonando pela (e na) minha aula de italiano. Pena que eu vou ter que interromper por 3 semanas por conta da viagem à Itália. Ontem, estudamos a música Imbranato, de Tiziano Ferro, que pode ser ouvida no You Tube através do atalho abaixo. Espero que na volta tudo esteja tão legal quanto agora. Baci.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Aniversário da Igreja: 4 anos!

Nossa igreja está completando 4 anos. Parece pouco, se olharmos para igrejas que já têm séculos. Parece muito, se pensarmos que 25% das organizações criadas no Brasil morrem sem completar um ano. Parece importante, se lembrarmos que outras 75, em cem, deixarão de existir antes de completados 5 anos. Logo, motivos há para comemorar.
Mas, a despeito dos números, uma igreja se faz pelas pessoas que a congregam, pela mensagem que divulgam e pelos líderes quem têm: e, neste caso, Jesus Cristo é um ótimo líder. E nosso pastor Justino também é dez. Ele e muitos outros líderes verdadeiramente carregam o piano nas costas (mas ainda não temos um piano de verdade: mas aguardamos a doação para a nossa orquestra). Dentre os muitos motivos para estarmos felizes, o estamos por já termos 9 endereços no mundo. Sim, no mundo: no estado de São Paulo são 3, outros estão pelo nordeste e 2 estão no exterior: Argentina e Portugal. Não é fantástico?!
A programação, super especial, segue no cartaz abaixo e pode ser acompanhada, on line (e ao vivo) pela internet: http://www.ccne.org.br/.

Comunidade Cristã Nova Esperança - A Igreja da Diversidade


Nostalgia

Sexta-feira última, fomos, Léa, Jader e eu, ao restaurante D'Antigona, que é, na verdade, uma pizzaria. O charme do lugar é o fato da pizza ser feita numa panela, e vir à mesa ainda com o formato do recipiente no qual foi assada. É superleve e muito saborosa. O ambiente é muito legal. De lá, fomos fazer uma caminhada, para gastar um pouco da energia recém-adquirida. O caminho nos levou a nada mais nada menos do que a minha antiga escola, Brasílio Machado, dos meus primeiros 9 anos de estudos. O Brasílio Machado ainda estava do mesmo jeitinho de quando eu o deixei, em 1988. Mas o entorno... Prédios enormes com apartamentos idem ocupam o lugar das casas que eu tantas vezes vi. A rua Morás ainda mantém o charme de outrora, mas eu imagino que durante o dia, quando todas as pessoas daqueles prédios resolvem sair de casa, com seus respectivos carros muito chiques, a paz de antigamente deve evaporar no ar.
Outro dia, se eu puder, conto como foi a minha primeira aula no Brasílio Machado, pois é um dos casos mais interessantes da minha vida, inclusive, mudou-a completamente.
Lembro-me agora que eu já havia ido ao restaurante D'Antigona, aliás, num mês de agosto. Foi em 2003, no aniversário da minha amiga Cibele que, a propósito, aniversariou na semana passada. Razão pelo qual, todos nós, que muito gostamos dela, aportamos em sua morada para comermos um churrasco maravilhoso e curtimos um lindo domingo de sol. A mesma Cibele aparece ao meu lado na foto acima. Junto à Cibi está a Regiana, com quem viajo daqui a algumas semanas para a Itália. E, ao lado da Rê, está o Sidney. A oportunidade desta foto foi para juntar, numa só pose, os quatro remanescentes da turma do Fernão Dias Paes, a escola onde todos nós cursamos o ensino médio, concluído em 1991. Ou seja, hoje foi um dia de nostalgia escolar. Um beijão. Jorge.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O bronzeado Leandro

O bronzeado Leandro Miguel
Acabei de ver que o Leandro conquistou sua segunda medalha de bronze. E acabei de conseguir o vídeo de uma música que eu gosto muito:

João Derly







Esta história das Olimpíadas de Pequim serem de madrugada está acabando comigo. Eu até havia comprado uma pseudobicicleta ergométrica para tentar acompanhar os jogos com menos culpa (afinal, parece-me muito estranho que eu, com 22 quilos a mais na cintura, possa assistir aos jogos, sem o mínimo peso na consciência). Então, pretendia pedalar e assistir TV ao mesmo tempo. Mas às 2 horas da manhã não dá, né? O pior de tudo é que perdi as apresentações do judoca João Derly. Desde quando fiz um semestre de judô, tornei-me um fã olímpico deste esporte (digo olímpico porque só acompanho nas olimpíadas). No tatame, antes que alguém imagine-me um atleta, eu era simplesmente uma tragédia grega: não evolui da faixa branca para a amarela e ainda cheguei a correr o risco de perder a faixa branca e ganhar um quimono com zíper ou botão. E não poderei mais ver o belo João nas Olimpíadas, pois o rapaz já foi desclassificado, de forma que agora me resta esperar por mais 4 anos. Para piorar, o bichinho ficou todo emocionado com a derrota. É tão triste ver um atleta chorando, pois as lágrimas parecem confessar que o atleta sabia-se capaz de vencer, mas antes foi vencido por alguma circunstância inesperada. E ele é tão bonitinho (só achei duas fotos dele na internet, que servem para ilustrar essa nota de hoje e também para ilustrar o pequeno poema que acabei de escrever em sua homenagem).


Judoca João

Chora, João:
lágrimas também são medalhas
guardadas no coração.

Chora, judoca:
só os fortes podem chorar.

Chora, menino:
feito Olimpo que derrama-se em rios
para oceanos formar.

Chora sem pena,
pois um profeta poeta
ergueu-te um poema,
que diz:

-- No Panteão dos Deuses tem um alerta:
"nem só de suor viverá o atleta".




Jorge de Lima
São Paulo, 11/08/2008.












sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Pequim e Vangelis

Aos 35 anos, me surpreendi, semanas atrás, com algo a respeito de Pequim: o gentílico. Então quem nasce em Pequim é pequinês. Mas não é que, na minha santa ignorância, pequinês servisse apenas para designar a raça de um tipo de felino (ou seja: um gato). Em outras palavras: nunca me ocorreu que os gatos desta raça assim se chamassem em alusão à cidade de Pequim... Procurando coisas a respeito da cerimônia de abertura, que não pude ver, pois estava no trabalho, encontrei um vídeo sobre Pequim. O que me atraiu, além da beleza e suavidade das imagens, foi a música de fundo, de Vangelis. Provavelmente dever ser da trilha sonora de um filme (acho que chama-se "China", tanto o filme quanto a música). Desde de "Carruagens de fogo", o filme, é muito fácil associar Vangelis e Olimpíada, pois graças ao filme e a antológica cena de atletismo, qualquer prova que signifique superação física já faz soar em nossos ouvidos aquela música... Só não sei ainda como os chineses vermelhos vão fazer para combinar o espírito olímpico com a maneira dura do governo em lidar com certas liberdades ocidentais. Mas espero que sejam bom jogos.


terça-feira, 5 de agosto de 2008

Tautologia




Minha amiga Naty, que é quase perfeita (ela torce para o São Paulo Futebol Clube), me repassou uma lista tautológica (ao que parece, tautogia serve como termo que define um dos vícios de linguagem; no caso, consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido). O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, que eu achei divertido compartilhar (mesmo porque, eu os cometo à exaustão):

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exata
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- fato real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Moonwalk

Acho que eu voltei a me esquecer de como se faz para colocar vídeos do You Tube aqui no blogue. Bom, se deu certo, logo abaixo haverá o vídeo (ou pelo menos o link) para o vídeoclipe do Michael Jackson da música "Billie Jean", escrita por ele e que foi escolhida a melhor música dance de todos os tempos pelos ouvintes da Rádio 2 da BBC, segundo informou a Folha de São Paulo. Não se trata do vídeoclipe original, mas sim da apresentação que ele fez e na qual ele dança o famoso passo moonwalk, pelo qual eu o indicaria ao prêmio Nobel da criatividade.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Festival de Inverno de Paranapiacaba e Miniférias


Ano passado não deu para eu ir. Mas neste ano espero que seja possível (acho que no final de semana 19/20 ou no final de semana 26/27, ambos em julho). A programação está ótima. Mas o melhor do festival, na minha opinião, é poder visitar os ateliês dos artistas e conversar com eles. Além, é claro, de passear por esta pitoresca cidade paulista encravada nas montanhas. Estou indo viajar segunda-feira (Bahia), volto em 13/07. Abraços, Jorge de Lima.

8º Festival de Inverno de Paranapiacaba


Atrações musicais, mostras de dança e cinema e apresentações de rua de grupos de teatro, circo, dança e música. Sábados e domingos de 12 a 27 de julho, em diferentes espaços da vila. Grátis. No Clube União Lyra Serrano e no Espaço Viradouro será necessária a retirada de convite duas horas antes dos shows.


Informações:


Centro de Informações Turísticas, telefone: 4439-0237


O cantor e compositor Seu Jorge, um dos nomes da música brasileira com destaque no cenário internacional, é o grande destaque da abertura do 8º Festival de Inverno de Paranapiacaba. O cantor faz show no dia 12 de julho às 17h, no Espaço Viradouro. Outros nomes importantes da programação do FIP 2008 são Lenine (dia 19), Zeca Baleiro (dia 20) e Otto (dia 26). Já a atração internacional serão os estadunidenses Scott Henderson Trio, que se apresentam no dia 27, no encerramento do festival.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O cowboy Henrique

O cavaleiro abaixo é um cowboy de verdade! Bom, pelo menos é o que afirma sua tia, minha amiga Regiana. Então, acabei de receber a foto do garoto e acabei de lhe escrever o seguinte texto:


Cowboy

a Henrique e à Regiana,

O menino tem um cavalo imaginário que pode voar, que toma sorvete, que fala e que anda de patins. Junto com seu cavalo, o menino torna-se um cowboy e vence todas os rodeios. As moças na platéia gritam seu nome e lhe jogam flores apaixonadas. O menino-cowboy as recebe feliz, agradece e se lembra da tia e seu enorme sorriso: a dona de todas as flores.

Quando o menino adormece também dorme o seu lindo cavalo e ambos sonham com rodeios, com sorvetes, com flores e com o grande sorriso da tia.


São Paulo, 13 de junho de 2008
Jorge de Lima





terça-feira, 10 de junho de 2008

D'Artangnan e os Três Mosqueteiros

Encontrei a música tema do seriado em animação D'Artangnan e os Três Mosqueteiros. Estou encantado!



Universidade de São Paulo
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas
Disciplina de Literatura Portuguesa VI

Jorge de Lima


Resenha crítica do ensaio “A modernidade”, de Walter Benjamin (tradução de Heidrun Krieger Mendes da Silva), publicado em “Vanguarda e Modernidade”, 26-27 (Editora Tempo Brasileiro), p. 7-39.


2005
São Paulo


“Passant, sois moderne”

O ensaio “A modernidade”, escrito por Walter Benjamin, traz as impressões do crítico literário em relação à obra do poeta Charles Pierre Baudelaire, francês nascido em 1821 e morto em 1867, tido como precursor do simbolismo, autor de “Les Fleurs du Mal” (1857).

Benjamin vai destacar em seu texto o percurso de Baudelaire no sentido de construir um herói moderno ao mesmo tempo em que faz sua própria figura se confundir com a figura de um herói moderno. Nesse sentido, defende que para viver a modernidade seria preciso uma formação heróica. Aponta que, para o poeta, o herói moderno é o proletário, o que, de fato, se coaduna com a idéia de que a modernidade é o tudo aquilo que se passa a contemplar no espaço urbano.

Relata que, pouco a pouco, foi se construindo um herói moderno que não tinha para si os providenciais prodígios do herói clássico. Ele é frágil, emocionalmente fragmentado, sem certezas. E, muitas vezes, sua arma mais contundente era o suicídio, que não é entendido como covardia ou renúncia: é a própria exaltação da paixão. Um herói que não habita o Olimpio: movimenta-se entre o povo no espaço urbano.
O espaço urbano é, inclusive, o pano de fundo de muitos dos poemas de Baudelaire que são explicitados pelo crítico ao longo do ensaio. Por opção do tradutor, os poemas são apenas transcritos e não traduzidos, o que dificulta a percepção do leitor desprevenido e “monoglota” da totalidade e da beleza dos textos citados. Ainda assim, é possível inferir, pelo texto, que os poemas escolhidos corroboram a tese de que o cenário urbano, e não outro, é o pano de fundo do trabalho do poeta em análise.

As vidas mundanas, as existências desordenadas, o submundo, os criminosos ou as prostitutas são citados como temas da vida mais heróicos do que os temas oficiais: as vitórias militares, a cena política.
Sendo uma marca da modernidade a perda da identidade, o poeta e o herói podem se confundir numa só pessoa. Assim, o crítico lembra, em sua análise, que, sendo o mundo moderno muito maior que os poderes do herói, este já está predestinando à derrota.

Flaubert e Victor Hugo, entre tantos outros, são exemplos de escritores citados por Benjamin para trabalhar a rica interdiscursividade da poesia de Baudelaire. Interdiscursividade estabelecida não apenas com a literatura mas também com outras formas de expressão artística: fotografia, desenho, arquitetura, teatro.

Por fim, chama atenção para o processo formal de criação do poeta. A escrita de Baudelaire, bem sintonizada e identificada com o tempo da modernidade, já não pode abrir mão do uso das palavras não consagradas para o uso poético. Se o mundo aspira o que vem das ruas, das praças e dos redutos fabris, a linguagem da poesia não poderia rechear-se apenas das palavras vindas de dentro das academias e das bibliotecas. Era preciso incorporar o vocabulário do proletário, do povo. Dar a poesia prosaísmos. Experimentar o novo.

E Baudelaire fez isso.



Aluno: Jorge de Lima.
Curso: Filosofia.
Disciplina: Literatura Portuguesa VI.
Docente: Profa. Dra. Marlise Vaz Bridi.
Período: Noturno.
Data: 13/10/2005.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Dante é o filhinho da minha amiga Erika e do meu amigo Daniel. Como eu sou um "tio" muito relapso, ainda não o conheço pessoalmente. Mas acho que deve ter uns três aninhos. Segue um texto que acabei de fazer para ele, assim que recebi sua foto (que também segue logo abaixo).

Menininho e borboletinhas

ao Dante

Quem acreditaria que de uma barrigona sairia um Dante como dantes nunca visto: belo e sorridente menino, brincando na Terra como se o mundo fosse um enorme faz-de-conta? Caçando borboletas com os olhos e as colecionando no pensamento: sim, porque bichos e pessoas devem viver livres (nada de gaiolas ou mentiras: o país dos adultos, além de não ser colorido, é, de vez em quando, tão apertado, mas tão apertado que nos dá vontade de gritar e voltar para dentro da barrigona, grande e confortável de nossas mães). "Abram todas as janelas para todas as borboletas sairem e entrarem quando bem quiserem" -- gritou o menino num sorriso doce. E a mamãe obedeceu.

São Paulo, 9 de junho de 2008.
Jorge de Lima

Na foto, o jovem Dante.





Pensei numa proposta de aula (1h30) sobre elaboração de artigos científicos. Cada item, posteriormente, pode ser transformado numa aula expositiva completa. No caso do item "resumo" esta aula já está pronta. Falta fazer o mesmo para os demais itens.



Aula: Redação Científica – como elaborar um artigo de revisão bibliográfica
Professor: Jorge de Lima

Proposta de Programa

1. Breve apresentação

a) publicar
b) escrever
c) ler
-pesquisa bibliográfica
-atenção à leitura

2. Tipos de Arquivo

a) original
b) revisão
c) atualização
d) notas e informações

3. Artigo de Revisão

a) definição
b) tipos

4. Partes de um Artigo (generalidades)

a) título
b) autoria
c) resumo
d) palavras-chave
e) apresentação
-introdução
-revisão da literatura
f) objetivos
-geral
-específico
g) metodologia (material e método)
h) resultados
i) discussão
j) conclusão (considerações finais)
k) bibliografia
l) agradecimentos

5. Um pouco mais sobre o Título

a) escolha
b) forma

6. Um pouco mais sobre o Resumo

a) Formato
b) Partes do resumo
-propósito/objetivo
-metodologia
-resultado
-conclusão

7. A Revisão da Literatura

a) leitura pormenorizada
b) esboço
c) conectivos

8. Publicação do artigo

a) escolha da revista (normas/ prazos)
b) índices de impacto

9. Fazendo um check-list

10. Revisão de Texto

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Agora que eu aprendi...

Agora que eu aprendi, vou colocar aqui alguns dos meus vídeos preferidos. Será que a página vai ficar muito pesada? Preciso checar isso. O vídeo abaixo é de uma música deliciosa que fala de uma bailarina:

Musiquinha

Hoje, com minha amiga Miriam, aprendi a postar um vídeo.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Lista de Músicas

Gosto muito de MPB. E gosto muito de música estrangeira. Fiz uma lista das minhas preferidas e vou guardar aqui no blogue, para poder consultá-la sempre. Ainda não tive tempo de corrigir o meu próprio currículo. Tampouco tive tempo de preparar a minha monografia. Pretendo escrever sobre a História do Ensino Superior em São Paulo, com ênfase nas instituições privadas. Só falta o tempo.


(Na foto, Viaduto Santa Ifigênia, São Paulo)




A-HA – TAKE ON ME
A-HA – TOUCHY
AMERICA - VENTURA HIGHWAY
BILL MEDLEY/JENNIFER WARNES - THE TIME OF MY LIFE
CARL CARLTON - BABY, I NEED YOUR LOVING
CARLY SIMON - YOU'RE SO VAIN
CRANBERRIES - LINGER
CRANBERRIES - ODE TO MY FAMILY
DESIRELESS - VOYAGE VOYAGE
DIRE STRAITS - SO FAR AWAY
DIRE STRAITS - YOUR LATEST TRICK
DR. HOOK - SHARING THE NIGHT TOGETHER
ELTON JOHN - ROCKET MAN
ELTON JOHN/KIKI DEE - DON'T GO BREAKING MY HEART
ENYA - ONLY IF
EURYTHMICS - THE MIRACLE OF LOVE
EVERYTHING BUT THE GIRL - I DON'T WANT TO TALK ABOUT IT
GENESIS - FOLLOW YOU FOLLOW ME
GEORGE MICHAEL - FATHER FIGURE
GLORIA ESTEFAN – REACH
HOUSE MARTINS – BUILD
JOEY SCARBURY - BELIEVE IT OR NOT
JOHN PAUL YOUNG - LOVE IS IN THE AIR
JON ANDERSON - HOLD ON TO LOVE
K.C. AND SUNSHINE BAND - PLEASE DON'T GO
LAURA PAUSINI - LA SOLITUDINE
LIGHTHOUSE FAMILY - I WISH I KNEW HOW IT WOULD FEEL TO BE
MADONNA - LIVE TO TELL
MEN AT WORK - DOWN UNDER
MICHAEL MCDONALD - AIN'T NO MOUNTAIN HIGH ENOUGH
MICHAEL MCDONALD - REACH OUT, I'LL BE THERE
MICK JAGGER - HARD WOMAN
MOODY BLUES - TALKING OUT OF TURN
P.H.D - I WON'T LET YOU DOWN
PRETENDERS - BACK ON THE CHAIN GANG
RANDY CRAWFORD - PEOPLE ALONE
ROD STEWART - HAVE YOU EVER SEEN THE RAIN
ROD STEWART - YOU'RE IN MY HEART
SEAL – CRAZY
STEVIE WONDER/DIONNE WARWICK - IT'S YOU
SUPERTRAMP - GIVE A LITTLE BIT
TEARS FOR FEARS - HEAD OVER HEELS
TINA TURNER - PRIVATE DANCER
U2 - I STILL HAVEN'T FOUND WHAT I'M LOKING
U2 - WITH OR WITHOUT YOU
VAYA COM DIOS - WHAT'S A WOMAN


.........

Carta à Igreja a propósito do aniversário de morte do nosso querido Wilson Trigo.

Alvorecer vazio

a Wilson Trigo

A passagem do tempo pode ser contada por muitas maneiras: em dias, em meses, em anos. Também em minutos, segundos e centésimos. Semanas, quinzenas e semestres também são formas de se contar a passagem do tempo. Por fim, também podemos contar o tempo pela medida da nossa saudade.

Sem dúvida alguma, grande é a nossa saudade do nosso irmão Wilson Trigo. Embora o calendário acuse apenas um ano desde sua morte, parece que ainda ontem ele estava conosco. Aqueles que o conheceram de perto, talvez ainda tragam consigo o som da sua voz, o calor da sua risada, o carinho dos seus muitos abraços.

Nossa igreja, cuidada tão carinhosamente pelas mãos desse saudoso irmão, ainda se revela frágil, sensível e “menina” diante das dificuldades do dia-a-dia. Sem dúvida, desde sua partida, muito já se fez: expandimos nossos horizontes e estamos conquistando o nordeste brasileiro para Cristo. Abrimos um escritório em São Paulo, para desafogarmos o espaço da igreja-sede (que já está ficando, de novo e graças a Deus, apertado). Mas todos nós sabemos que seria um pouco mais fácil se ele estivesse conosco: pensando e cuidando dos detalhes, do pagamento das contas, da administração da igreja, da companhia tão importante ao pastor Justino.
O próprio Pastor já contou, do alto do púlpito, da importância que era, ao fim de um dia cansativo, encontrar-se com seu companheiro e descerem juntos para o litoral. Nestas ocasiões, iguais aos casais recém-namorados, eles reviviam juntos a emoção de verem o sol nascer: e testemunharam, silenciosamente, a alvorada, o primeiro e renovado presente que Deus nos dá a cada novo dia.

Para nós que ainda estamos aqui, neste mundo, o dia continua amanhecendo. E os mesmos desafios da igreja que nós enfrentávamos juntos com o irmão Wilson precisam ser vencidos. E novos desafios surgem. Por isso, renovados devem ser, todos os dias, os convites para que mais e mais irmãos e irmãs se envolvam com os trabalhos da igreja. Desejando, em seus corações, tornarem-se diáconos com espírito de liderança e obreiros com disposição para o serviço de Cristo. Tarefa maior e melhor, não há. Pois quando transformamos cada dia que nasce em um dia de glória para Deus, damos ao presente -- que é o nascer do sol de um novo dia -- um sentido especial de que não foi em vão.

Portanto, façamos todos da nossa saudade desse irmão querido, o nosso desejo de que cada amanhecer não seja um alvorecer vazio.


São Paulo, 3 de maio de 2008.
Jorge de Lima.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Limpando gavetas


Sigo limpando gavetas, já foram às de casa, agora às do trabalho. Vou comprar um pen drive (memória flexível, para fugir dos anglicismos desnecessários) e colocar nela tudo que eu não preciso que esteja no computador. Quem sabe assim o pobrezinho consiga trabalhar um pouco mais rápido. Hoje, neste limpar de gavetas, encontrei um pedaço de poema que, me parece, não está pronto ou está pronto com outro nome e outra forma em outro arquivo. Pelo sim pelo não, já que vou apagar, melhor registrá-lo aqui. Acho que é de 15/11/2006 e seguramente diz respeito a "R.":


Jorge de Lima
São Paulo, 15/11/2006

Vejo um retrato colorido e quente memorizado como pedra de tudo o que sonhei sozinho ou um rastro da esperança que partiu -- urgente de tão agredida. Ou a gravidade do talvez entrevisto. Vi e ouvi: nada de novo. Agora é tarde, por conta dos minutos que sempre ameaçam. Exatos. Exíguos. Veja: o futuro é uma urgência diária. Não fui. Não fomos. Impossível é que eu criasse asas. Mas, de nós dois, só eu aprendi a voar. E, para te esquecer, escrevi este poema.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Farfalla

Farfalla

à Giulia

Amarelinha, a borboleta voa: amarelando o céu azul. Voa, voa, voa: bem pequenininha. Bem amarelinha. Sorri, bate as asas: voa. Pousa numa flor, pousa em duas: pousa em todas as flores do jardim. Assim: amarelinha. Voa aqui, voa ali, voa em todo lugar. Só não voa na chuva. Quando chove, a borboleta amarelinha dorme, bem quietinha, debaixo do beiral.

São Paulo, 31/01/2008.
Jorge de Lima




Giulia, comemorando, em Roma, o Carnaval: uma borboleta (farfalla).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Corrigindo os próprios erros




Que desespero ler o meu próprio currículo e ver uma infinidade de erros: vou precisar contratar um revisor de textos... Bom, em casa de ferreiro, o espeto é sempre de pau. Com tantos textos dos outros para ler, quem disse que sobra tempo para os meus. Só de poemas, tenho uns 200 esperando que um dia eu os olhe com mais amor e calor e lhes dê um destino: o lixo ou a luz. Mas o currículo, cedo ou tarde também vai precisar sofrer uma faxina. Quem sabe quando...
Universidade de São Paulo
Faculdade de Educação
Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa I




Seqüência Didática
Poesia: figuração e conceito


São Paulo – 2003

O primeiro passo consiste na avaliação diagnóstica, que deve permitir verificar o que a classe já sabe sobre poeta/poesia e, principalmente, deve servir para o professor colher informações acerca dos alunos, que o permita proceder à organização de grupos de alunos com uma composição heterogênea em relação ao assunto poesia.

Para tanto o professor deve ter em mãos uma espécie de “mapa em branco”. Os modelos desse tipo de mapa podem variar de acordo com a situação da classe. Trata-se de uma lista de presença em que possam ser feitas colunas paralelas aos nomes dos alunos, as quais serão denominadas pelos tipos de informações que as questões levantadas na avaliação diagnóstica podem suscitar. Por exemplo, as colunas podem ser: a) exemplos dados pelos alunos (se apropriados ou inapropriados); b) quando forem apropriados, se simples, complexos, comuns, etc; c) conceitos emitidos pelos alunos (se apropriados ou inapropriados); d) quando forem apropriados, se simples, complexos, comuns, etc. O mapa também pode ser uma folha em branco na qual o professor possa anotar as ocorrências e as falas dos alunos. O importante é poder registrar o que a classe já sabe sobre o tema e o grau desse saber, identificando que alunos estão com maior ou menor familiaridade com o assunto, de maneira a distribuí-los pelos futuros grupos. As perguntas precisam ser abertas e provocativas. Podem ser, por exemplo: a) alguém sabe o que é poesia?; b) para quê serve poesia?; c) quem escreve poesia?; d) quem lê poesia?; e) quem sabe o nome de um autor de poesia?; f) quem sabe alguma poesia?, etc. Uma vez que as perguntas são abertas, podem conduzir a novas perguntas na medida das respostas dos alunos. Se a classe responde que conhece um escritor, por exemplo, a próxima pergunta pode ser como se deu o contato com esse escritor, como é o texto dele, etc. Se a classe começa a citar escritores, esse momento vai servir para verificar a adequação ou não dos nomes citados à condição de escritor de poesia e desse conjunto de respostas poderá se separar aqueles alunos que já conhecem e entendem poesia e sabem fazer a distinção entre um texto em prosa e um texto em poesia. As citações também podem misturar autores nacionais e estrangeiros, mortos e vivos, clássicos ou modernos, regionais ou mais universais, etc. Tudo isso poderá servir para formar o grupo de maneira mais heterogênea.

A próxima etapa consistirá na distribuição para a classe de um texto em poesia. Esse texto deverá ser selecionado em consonância com o “gosto” literário que a turma esboçou durante a avaliação diagnóstica ou com o nível de conhecimento sobre o tema. Para tanto, a seleção de exemplos trazida pelo professor deve ser bastante ampla e diversificada. Por exemplo: se a classe demonstrou algum grau de familiaridade com a poesia que tenha como tema o amor e com a estrutura ritmada, o texto a ser apresentado pelo professor pode ser qualquer um que privilegie o tema “amor romântico”, os versos rimados etc. Poderá apresentar à classe, por exemplo, “Soneto de fidelidade”, de Vinicius de Moraes. Se a noção de poesia da classe comporta textos em versos livres, tanto por ser uma demanda, tanto por ser o modelo preferido pela turma, a escolha poderá recair sobre algum nome da poesia moderna, Carlos Drummond de Andrade, por exemplo. O importante é estabelecer uma conectividade entre a escolha do texto apresentado e a noção da classe sobre o tema.
Nessa etapa o professor, após selecionar o texto, o transcreverá na lousa, com as seguintes instruções: a) copie o texto “Soneto de fidelidade” no seu caderno; b) Faça uma ou duas leituras silenciosas; c) identifique as palavras que lhe são estranhas ou novas ou cujo o sentido lhe pareça “diferente”; d) faça uma lista com essas palavras; etc.

Ao mesmo tempo em que direciona a atenção do aluno para a produção literária de um escritor, dando suporte material para a compreensão de conceitos que serão transmitidos a seguir, essa atividade permitirá que o professor envolva os alunos numa tarefa individual enquanto o próprio professor irá processar as informações que colheu na avaliação diagnóstica, de modo a poder criar os grupos. Os grupos deverão ser compostos por 5 alunos, em função da qualidade das respostas e, também, de outras informações que o professor possa ter dos alunos (tratando-se de uma turma de alunos já conhecida). Dessa forma, um grupo terá alunos que demonstram algum conhecimento apropriado do tema, alguma leitura, alguma facilidade de manusear as informações acerca do tema, com alunos que tem características justamente opostas: dificuldades com o assunto, desconhecimento do assunto, etc. Sendo uma classe já conhecida do professor, será interessante evitar agrupamentos que geraram conflitos em experiências anteriores, a fim de se evitar que se consolide na mente dos membros uma visão negativa do trabalho em grupo.

Na próxima etapa já há a formação das equipes. A primeira tarefa do grupo formado será a de trabalhar com os resultados da questão acerca de palavras “estranhas” encontradas no texto proposto. Parte-se do princípio de que as respostas variarão, uma vez que o grupo tem pessoas em situações diferentes com relação ao tema. A discussão do grupo irá ampliar ou diminuir o conjunto de palavras trabalhadas. Ou seja: se a questão, conforme foi apresentada no presente exemplo, for a localização e formação de uma lista de palavras estranhas ou desconhecidas, muito provavelmente os alunos com dificuldades apresentarão uma lista maior que os alunos com facilidade. Na discussão, um aluno explicará o sentido ao outro e a dúvida será sanada. Portanto, a lista diminuirá. Mas se a atividade anterior, ainda individual, pedisse para localizar outros tipos de itens, como conceitos mais específicos -- por exemplo, rimas internas, os alunos com menos traquejo no tema apresentaria uma lista menor que o aluno com mais facilidades e a discussão em grupo aumentaria a lista.
Durante esse tempo o professor atuará como mediador das questões e dos debates, auxiliando os alunos na depuração dos resultados. Durante essa mediação o professor poderá verificar que tipo de abordagem adotará na próxima etapa, quando da sua explanação acerca do assunto para toda a classe. Perceberá se deve explicar mais a poesia enquanto forma, significado ou interpretação. Também poderá, dessa verificação, surgir a necessidade de explicar mais sobre o autor ou o contexto do texto apresentado, etc. Ou ainda, começar a estabelecer relações entre este gênero com outros ou, ainda, entre um dado movimento literário com o outro. Mas a etapa da explanação do professor, da conceituação do tema, deve se prender a esse momento concreto que é a demanda dos debates dos grupos.

Uma nova etapa será a produção escrita. A base de trabalho pode ser originada do material coletado pelos alunos ainda no momento da atividade individual. Ou seja, dependendo do que fora solicitado para ser buscado pelo aluno, esses dados poderão ser utilizados na etapa de produção escrita. Por exemplo, poderia ter sido solicitada, para uma classe do último ciclo do ensino fundamental, que fosse localizado no texto exemplos de metáforas sobre um dado assunto, ou exemplos de palavras utilizadas num sentido diverso do usual para expressar determinada noção. Assim, na etapa da produção escrita os grupos seriam chamados a criar um texto fazendo uso dos mesmos recursos ou utilizando as palavras localizadas como um vocabulário básico do texto a ser criado, mas alterando seus significados. No caso dos alunos do terceiro ciclo do ensino fundamental, pode ser sugerida a reescritura do texto a partir da elucidação dos termos desconhecidos.
Uma vez que a questão tenha sido explicada para a classe, os alunos do quarto ciclo podem, ainda, trabalhar com tema ou mote do texto e produzir uma nova poesia com o mesmo tema. Ou desconstruir o texto da sua forma de poesia e transformá-lo num texto em prosa, para se marcar a diferença entre uma forma e outra.
O importante é que essa etapa signifique a possibilidade de uma ou mais formas de criação, para que os alunos possam intuir a melhor maneira de trabalhar com o tema. O professor também acompanhará in loco os trabalhos em grupo, com intervenções pontuais, esclarecendo dúvidas e corrigindo erros, num processo que possibilite a reescrita, na busca do aprimoramento do texto.

A última etapa de trabalho será a apresentação do produto desenvolvido pelo grupo, que poderá ser uma dramatização, uma declamação, etc, dependendo do trabalho final.

É importante notar que a avaliação do professor não recairá sobre apenas esse momento, o produto final. O professor deve ter tomado notas do envolvimento dos alunos no processo e, principalmente, deve verificar como entraram e como saíram determinados alunos. Se aqueles alunos que tinham dificuldades conseguiram ter alteradas as suas informações acerca do tema, se puderam compreender o assunto, isso seguramente deverá ser um ponto importante da avaliação. E os alunos devem saber desse critério de avaliação.
Data: 26/06/2003